Lei antimineração: Diálogo é adiado mais uma vez e indígenas seguem em resistência

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Publicado terça-feira, 28 de fevereiro de 2012 as 14:37, por: cdb

O ocorrido na Assembleia Nacional de Deputados no reinício do diálogosobre os temas mineiros e hidrelétricos na Comarca não cumpriu as expectativas.Um novo recesso foi decretado para o dia de hoje, terça-feira 28 de fevereiro,o que acalorou os ânimos do povo Ngäbe Buglé que sente que o Governo buscaignorar o assunto, ganhar tempo, para finalmente produzir uma lei em favor dosgrandes interesses econômicos das hidrelétricas.

Uma campanha orquestrada com alguns meios de comunicação, a hierarquiada igreja católica, os grêmios empresariais e partidos tradicionais, tentaobrigar que os indígenas, “em favor do desenvolvimento nacional”, cedam em suasposições em troca dos “espelhinhos” de sempre: Supostos planos de interessesocial na comarca. Estes setores têm sua particular forma de interpretar asnegociações, ver o artigo: www.kaosenlared.net/america-latina/item/9095-panamá-discúlpeme-monseñor-lacunza.html

Para o Governo de Martinelli e da classe dominante, os interesses dos Virzi,Btesh, e outros sócios do mandatário, assim como de outros elementos vinculadosaos partidos tradicionais, estão acima dos interesses e aspirações de todo umpovo. São estes interesses detrás dos projetos do Rio Tabasarás e Barro Blrnco,os pontos de discórdia.

Por sua vez, o povo Ngäbe Buglé reclama que o artigo 5 que proíbe aexploração mineira e o desenvolvimento de projetos hidrelétricos na comarca eáreas anexas, o qual foi consensuado e integrado ao anteprojeto e projeto delei inicialmente (há mais de um ano), seja incorporado integralmente. Ao longoda Interamericana, grupos indígenas se mantêm em vigília e em pé de luta.

Ante esta situação, ontem se deram fechamentos parciais em distintospontos, incluindo a ponte sobre o Rio Changuinola e nos prédios da Assembleiaos grupos indígenas e organizações solidárias protestaram imediatamente.

Segundo os indígenas, se a situação persistir o diálogo pode concluirsem acordos com as consequências que disso se desprenda. O Governo, com abenção de alguns “mediadores” e outro atores partícipes da campanha que buscadesvirtuar a causa indígena, prepara outro banho de sangue, sem que se hajamresolvido as graves violações aos direitos na Comarca e enquanto os criminosos JoséRaúl Mulino e Gustavo Pérez continuam em seus postos.

Os indígenas e demais movimentos sociais chamam o povo panamenho e acomunidade internacional a manterem-se vigilantes frente aos fatos.

A notícia é de Frenadeso.