Laudo diz que casal que atirou bebê contra o carro não usou drogas

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Publicado sábado, 22 de março de 2003 as 11:23, por: cdb

Diferentemente do último exame toxicológico feito no casal Alvarenga, nesta sexta-feira foi anexado ao processo o exame oficial do Instituto Médico Legal (IML), de São Paulo, apontando que Alvarenga e Sara não consumiram drogas, segundo o advogado de Alexandre Alvarenga, Luiz Henrique Cirilo.

“Isto confirma que o Alexandre sofreu um surto psicótico e não estava sob efeito de drogas, como eu sempre afirmei”, argumenta Cirilo. O exame foi requisitado ao IML no dia 3 de fevereiro e ficou pronto no dia 27 do mês passado, mas apenas na sexta-feira foi anexado ao processo. Nem o IML de São Paulo, nem o advogado Cirilo souberam informar onde o exame ficou parado por quase um mês depois que foi remetido para Campinas.

O defensor também revelou que na quinta-feira seu cliente deu início ao tratamento psiquiátrico e recebeu a visita do médico Tércio Tosta, contratado pela famílias. O advogado disse que o médico fez a requisição de exames e prescreveu medicamentos, mas não soube informar quais.

Além disso, a Coordenadoria de Saúde do Estado conseguiu uma vaga no Casa de Custódia e Tratamento, Dr. Arnaldo Amado Ferreira, em Taubaté, para onde Alvarenga deve ser transferido na segunda ou terça-feira, pois depende da parte burocrática, como a escolta, por exemplo.

Mas no dia 26 deste mês o casal participará do depoimento das testemunhas, que ocorre no Fórum de Campinas. O advogado do acusado também revelou que seu cliente não irá participar da reconstituição marcada para o dia 27 deste mês. “Não participará , pois não se lembra do que ocorreu e não ajudará na elucidação dos fatos”, explica Cirilo.

Desde o início do processo o advogado de Alvarenga insiste que seu cliente não faz e não fez uso de drogas e o exame assinado pelas peritas criminais, Kátia Delphino Salles e Débora Carvalho confirmou a tese de Cirilo, que já havia reclamado que o exame apresentado pelo Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP) havia erros e contradições.

Cirilo explicou que o primeiro exame foi realizado pelo HMCP e deu negativo. Depois o hospital contratou um laboratório que realizou o segundo exame onde deu positivo para consumo de álcool e cocaína para o Alvarenga e cocaína para Sara Maria Rosolen Alvarenga, mas não determinava se eles estavam sob o efeito da droga no momento do crime.

O promotor do Ministério Público, Marcos Tadeu Rioli sempre afirmou que o resultado do exame não altera seu trabalho de acusação. “O fato dele ter, ou não, consumido droga, não isenta da responsabilidade, pois a pessoa esta lúcida na hora que vai consumir a droga e assume a responsabilidade pelos riscos” explica Rioli. A principal base de acusação do promotor são as sete pessoas que testemunharam o caso.

O casal é réu no processo em que são acusados de dupla tentativa de homicídio triplamente qualificado e podem ser condenados de 12 a 30 anos por cada um dos crimes. No dia 2 de fevereiro, o casal foi preso depois que Alvarenga arremessou o filho J.A.R. A., de um ano, contra o pára-brisas de um carro em movimento e bateu a cabeça da filha A.R.A., de 6 anos, contra uma árvore. Sara permaneceu o tempo todo ao lado de Alvarenga e não fez nada para impedir as agressões.

Alvarenga está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP), no complexo penitenciário Campinas/Hortolândia desde o dia 6 deste mês. No dia 14 ele apresentou um quadro de depressão crônica e o médico emergencista, José Roberto Hansen explicou que o paciente estava com “tendências suicidas”.

Já Sara está na Penitenciária Feminina do Estado desde o dia 27 do mês passado.

Em depoimento em juízo no dia 26 do mês passado, o casal alegou não se lembrar dos fatos. O advogado de Sara, Pedro Renato Lúcio Marcelino, confirmou a participação dela.