Kofi Annan ganha Nobel da Paz e critica início do século XXI

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Publicado segunda-feira, 10 de dezembro de 2001 as 16:49, por: cdb

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, o ganês Kofi Annan, afirmou durante a cerimônia onde recebeu o prêmio Nobel da Paz – dividido com a própria ONU – que “a erradicação da pobreza, a prevenção dos conflitos e a promoção da democracia” serão as três prioridades da Organização das Nações Unidas (ONU) para o século XXI.

Um século que, na opinião do secretário-geral, começou muito mal.”Entramos no terceiro milênio por uma porta de fogo. Se hoje, depois do horror de 11 de setembro, vemos melhor e mais longe, nos damos conta de que a humanidade é indivisível”, afirmou.

Annan afirmou ainda que os atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos mostraram que as divisões importantes não são mais de fronteiras mas, sim, entre os afortunados e os despossuídos, e que é extremamente alto o custo de se ignorar a dignidade humana, as liberdades e direitos fundamentais como segurança, alimentação e educação.

Fazendo referências ao Corão, confucionismo, budismo, à Torá e à Bíblia, o secretário-geral apontou para o fato de que todas as grandes religiões reconhecem os valores da tolerância, e isto deveria ser respeitado. “A noção de que o que é nosso está necessariamente em conflito com o que é deles… tem resultado em inimizades e conflitos sem fim, levando os homens a cometeem os maiores crimes em nome de um poder maior”, disse.

O secretário-geral também pediu aos países individualmente que respeitem o império da lei e não violem os direitos de seus cidadãos. Durante a festa em Oslo, Annan, de 63 anos, também adiantou que no novo século a “Organização das Nações Unidas será definida por uma tomada de consciência – nova e mais profunda – de caráter sagrado e de respeito à dignidade de cada ser humano, independente de raça ou religião”.