Kissinger renuncia como líder da comissão investigadora

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Publicado sábado, 14 de dezembro de 2002 as 22:37, por: cdb

Henry Kissinger renunciou repentinamente na sexta-feira como líder da comissão independente para investigar os ataques de 11 de setembro, informando ao presidente Bush que ele não serviria ao cargo se isso implicaria em revelar os nomes dos clientes da sua empresa de consultoria.

Bush, que ficou surpreso com a decisão, prometeu encontrar outra pessoa rapidamente.

“Sua liderança daria as análises e percepções necessárias para o governo entender os métodos dos nossos inimigos e a natureza das ameaças que enfrentamos”, disse Bush. “Meu governo trabalhará rapidamente para escolher outra pessoa cuja missão será descobrir cada detalhe dos ataques de 11 de setembro, em nome da proteção dos EUA”.

A indicação de Kissinger no mês passado reviveu memórias dos seus trabalhos como conselheiro da segurança nacional e como Secretário de Estado no governo Nixon e seu papel na Guerra do Vietnã.

Mais imediatamente, a renúncia encerra uma disputa entre congressistas democratas, que diziam que ele deveria revelar seus laços financeiros, e a Casa Branca, que dizia que isso não seria necessário. Kissinger não respondeu ao recado deixado em seu escritório em Nova York na sexta-feira à noite, mas na sua carta a Bush ele disse que a disputa poderia atrapalhar sua empresa, a Kissinger Associates.

“Esse é um momento de tristeza para mim, é claro”, ele escreveu. “Minha esperança é que, com minha decisão de renunciar, a comissão investigadora possa trabalhar sem controversa”.

A renúncia de Kissinger está aparentemente ligada à opinião legal dos republicanos e democratas do Comitê de Ética no Senado, que disse na quinta-feira que todos os membros da comissão teriam que cumprir com as exigências de revelações financeiras. Algumas horas antes, Kissinger se reuniu com 11 parentes das vítimas de 11 de setembro, propondo um plano que ele revelaria seus clientes para uma terceira parte escolhida pelas famílias, que concordaria em não revelar os nomes.

A Casa Branca tentou de tudo para declarar Kissinger uma indicação do executivo, sem interferência do legislativo, mas perdeu o argumento legal quando a opinião do comitê foi emitida.

Líderes das famílias que lutam para criar uma comissão disseram que não estão particularmente decepcionados com a renúncia, porque não se sentiam à vontade com o passado de Kissinger.