Kerry usa estudo da “miséria da classe média” para atacar Bush

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Publicado segunda-feira, 12 de abril de 2004 as 15:21, por: cdb

O candidato do Partido Democrata à Presidência dos EUA, John Kerry, tentou nesta semana concentrar suas críticas ao desempenho na área econômica do atual governo norte-americano, deixando de lado a violência crescente no Iraque.

Com base em um estudo, que será divulgado nesta segunda-feira, Kerry disse que uma combinação de custos cada vez maiores com a saúde e a educação e uma queda na renda tem aplacado as famílias norte-americanas desde que George W. Bush assumiu o governo do país.

Esse quadro, segundo o candidato da oposição, havia anulado os ganhos financeiros eventualmente proporcionados pelos cortes em impostos realizados pelo presidente.

O núcleo do discurso de Kerry para a área econômica tem sido criticar o aumento do desemprego durante o governo Bush. Mas o relatório citado apontou para um outro problema– as famílias de classe média estão sofrendo “com os altos custos de saúde, de educação e de gasolina ao mesmo tempo em que os salários e as receitas estão estagnando e as falências pessoais estão em níveis recordes”.

Entre 2000 e 2003, segundo o “Índice de Miséria da Classe Média”, feito com dados do governo e de agências independentes, os salários caíram 0,2 por cento enquanto os custos com a educação nas faculdades aumentaram 13 por cento.

No mesmo período, os planos de saúde ficaram 11 por cento mais caros enquanto o preço da gasolina aumentou 15 por cento, segundo o estudo do comitê de campanha de Kerry.
“O índice de miséria da classe média piorou 13 pontos nos últimos três anos, a maior queda da história para um período de três anos”, afirmou o estudo.

O índice combina sete indicadores diferentes: rendimento familiar médio, gastos com educação superior, gastos com saúde, gastos com gasolina, pedidos de falência, taxa de propriedade imobiliária e crescimento dos empregos no setor privado.

Segundo o estudo, seis dos sete dados pioraram durante o governo Bush. Apenas a taxa de propriedade imobiliária melhorou.

Steve Schmidt, porta-voz da campanha de Bush, afirmou que o estudo era um “golpe de marketing”, feito para “esconder o fato de que John Kerry possui um histórico de votos no sentido de tornar a vida dos norte-americanos de classe média mais difícil”.