Kassab vaza articulação para Serra deixar o PSDB e tucanos brigam entre si

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Publicado quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012 as 14:32, por: cdb
Serra
Serra articula deixar o PSDB, caso consiga se eleger à prefeitura de São Paulo

A notícia de que o possível candidato à prefeitura de São Paulo na legenda do PSDB José Serra pretende deixar o partido rumo ao PSB, do atual prefeito, Gilberto Kassab, era tudo o que o ex-governador não precisava, nesse momento da campanha pré-eleitoral. A nota, publicada em uma coluna no diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, revelou que “em seus diálogos privados, Gilberto Kassab informa que, se for eleito para a prefeitura de São Paulo, o tucano José Serra vai romper com o PSDB e abandonar os quadros da legenda”.

Para os adversários de Serra nas prévias que deveriam acontecer no próximo domingo, mas foram adiadas para o dia 25, a pedido do candidato derrotado à Presidência da República em 2010, o fiel da balança passa a pender para o secretário estadual de Energia, José Aníbal, e o deputado federal Ricardo Tripoli. A intenção de abandonar o ninho tucano, revelada por Kassab “nos subterrâneos”, segundo o colunista, fortalece o abismo formado no partido, logo após as últimas eleições presidenciais, entre serristas e o restante do partido, representado por Geraldo Alckmin, governador paulista, Fernando Henrique Cardoso, presidente de Honra da legenda e o senador Aécio Neves, virtual candidato à sucessão da presidenta Dilma Rousseff em 2014. Serra, de acordo com o que apurou o jornal, “pretende articular a formação de um novo partido. A base dessa legenda seria o PSD. Ao partido presidido por Kassab seriam incorporadas outras agremiações”.

Nos diálogos “travados a portas fechadas”, segundo o diário que já declarou apoio a Serra, antes mesmo dele ser escolhido nas prévias em curso, “Kassab repete algo que disse sob holofotes. Segundo ele, Serra não cogita disputar a Presidência da República em 2014. Planeja dedicar-se à prefeitura”. Este ponto também deverá ser explorado pelos adversários, posto que o então prefeito paulistano deixou o cargo para concorrer ao governo do Estado e, uma vez empossado, também renunciou para, em seguida, perder as eleições para Dilma, em 2010.

Um dos primeiros reflexos da nota que revela a intenção do possível candidato tucano, de deixar a legenda se conseguir ser eleito este ano à chefe da administração da capital paulista, partiu do adversário José Aníbal. Em uma crítica frontal ao atual prefeito, o secretário de Energia de São Paulo e pré-candidato a prefeito pelo PSDB disse que Kassab, praticamente, abandonou o cargo. A cidade de São Paulo “não tem prefeito” para atrair grandes investimentos, disse Aníbal àquele diário.

– Não sou contrário (ao apoio de Kassab ao PSDB), mas ele age como se tivesse 70% de aprovação, quando tem 20%. Que força política tem esse sujeito? – disparou.

Kassab, a seus interlocutores, revela que não tem qualquer apreço pela legenda tucana e seu apoio é única e exclusivamente ao parceiro político José Serra. Ele teria afirmado, ainda, não ter compromisso, por exemplo, com a reeleição do governador tucano Geraldo Alckmin, e que pretende continuar na base de apoio ao governo Dilma.

Força interna

Apesar das recentes declarações de Kassab, Serra mostrou que ainda guarda certo prestígio junto à legenda que o abriga. A Executiva do PSDB paulista decidiu adiar, nesta quarta-feira, a data das prévias do partido. A data prevista era 4 de março, mas foi remarcada para o dia 25. A decisão da mudança ocorre, basicamente, em função da entrada do ex-governador José Serra na disputa interna do partido para concorrer à prefeitura. Serra anunciou, na véspera, que pretende participar das prévias e representar o partido nas eleições de 2012.

O anúncio da mudança das datas ocorreu após reunião entre os 18 membros da Executiva do partido. Após mais de três horas de discussão, ficou clara a divisão da legenda. Sem consenso em torno do adiamento, 10 tucanos votaram a favor da mudança e oito contra. A reunião, longa e desgastante, com direito a bate-boca entre os militantes presentes, questionou não apenas o ingresso de Serra na disputa, mas o adiamento das prévias e o “banho de água fria” nos partidários, como lembrou Aníbal.

João Câmara, um dos integrantes da Executiva do PSDB, criticou a entrada do ex-governador na disputa e disse que isso apenas irá agravar as divisões no partido. Segundo ele, a idéia inicial era que as prévias fossem no dia 11, mas Serra exigiu que fosse dia 25 para ganhar tempo e tentar reverter a rejeição ao seu nome.

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