Justiça mantém decisão e livra Farah de reconstituir assassinato

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Publicado quarta-feira, 5 de fevereiro de 2003 as 23:14, por: cdb

A Justiça de São Paulo manteve hoje a decisão de liberar o médico Farah Jorge Farah, 53, de participar da reconstituição do assassinato da dona-de-casa Maria do Carmo Alves, 46. Ele é acusado de esquartejar a vítima.

O habeas corpus pedido pela defesa do médico foi concedido pelo juiz Marco Antonio Martin Vargas, da 2ª Vara do Júri. Em sua decisão, ele diz que “não se está impedindo a realização do ato, tanto que a reprodução simulada do crime poderá ser realizada com a presença do acusado desde que ele manifeste o desejo nesse sentido, caso contrário não poderá ser compelido a comparecer na diligência”.

O inquérito policial foi relatado à Justiça nesta terça-feira. O promotor Orides Boiati afirma que vai recorrer da decisão. Para ele, “o processo continua”.

Embora Farah, réu confesso, diga que sofreu um lapso de memória sobre os detalhes do crime, a Promotoria ainda pretende levar o acusado até o local do assassinato.

“Seria importante que ele estivesse no local para que pudéssemos ver sua reação”, afirmou Boiati.

No final de semana, uma liminar concedida pelo juiz plantonista do Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais) Ivo de Almeida também impedia que a polícia levasse Farah até sua clínica, em Santana, zona norte, onde aconteceria a reconstituição.

Segundo o promotor, o médico será denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio insidioso e dissimulação), destruição parcial e ocultação do cadáver e vilipêndio (desrespeito).

O IML (Instituto Médico Legal) liberou somente nesta quarta-feira o corpo de Maria do Carmo, assassinada em 24 de janeiro.

A prisão preventiva (até o julgamento) do acusado foi decretada pela Justiça no último dia 28.

Crime

No último dia 24, a dona-de-casa avisou o marido, o porteiro João Augusto de Lima, que iria ao médico.

As partes do corpo da vítima foram encontradas dia 26 de janeiro, no porta-malas do carro do acusado, em sua casa, em Santana, zona norte da cidade. Faltavam as vísceras e as pontas dos dedos.

Segundo a polícia, o crime ocorreu no consultório do cirurgião. Farah teria levado cerca de dez horas para esquartejar e dissecar o corpo da vítima.

Depois do assassinato, Farah foi internado em uma clínica psiquiátrica na Granja Julieta, zona sul, a mesma onde ficou o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, acusado de matar a também jornalista Sandra Gomide, em 2000.

O acusado disse à polícia que Maria do Carmo tentou entrou no consultório com uma faca e tentou agredi-lo. Disse não se lembrar de mais nada.

O delegado-titular do 13º Distrito Policial (Casa Verde), zona norte, concluiu o inquérito na segunda-feira (3). A motivação do assassinato não é clara. A polícia não sabe também se o cirurgião teve a ajuda de alguém para praticar o crime.

O consultório de Farah, em Santana, zona norte da cidade, foi arrombado. As portas de entrada da clínica foram encontradas abertas no domingo (2), quando deveria ocorrer a reconstituição do crime.

Supostos fragmentos de tecido humano foram encontrados em uma banheira da clínica.

Fitas de áudio apreendidas no consultório do acusado indicam que Farah e Maria do Carmo mantinham uma relação íntima.

Segundo a polícia, o médico gravava suas conversas telefônicas porque queria ter provas de que recebia ameaças supostamente feitas por Maria do Carmo.

Após a prisão do acusado, pacientes de Farah denunciaram supostos assédios sexuais cometidos pelo médico.