Justiça julga amanhã recurso de fazendeiro condenado pela morte de missionária norte-americana

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 5 de setembro de 2011 as 16:52, por: cdb

Luana Lourenço

Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Tribunal de Justiça do Pará vai julgar amanhã (6) o recurso para anulação de júri apresentado pelo fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, acusado como um dos mandantes do assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang, em 2005. Condenado a 30 anos de prisão, Galvão tenta anular a sentença da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Belém, proferida em abril de 2010.

O julgamento estava marcado para o último dia 30, mas foi adiado depois que a defesa entregou ao tribunal um vídeo de três minutos para ser usado como prova no processo. Segundo o tribunal, o pedido para que o vídeo fosse exibido e acrescentado ao processo só foi protocolado na noite anterior à data da sessão, fora do prazo legal, que determina que qualquer nova prova deve ser apresentada no mínimo três dias antes do julgamento para que todas as partes possam tomar conhecimento da documentação.

Condenado a cumprir pena em regime fechado, Galvão está recorrendo da sentença em liberdade provisória. Ele é o único dos cinco acusados pelo assassinato da missionária que continua solto e nega qualquer participação no crime.

Os demais condenados estão presos. São eles: Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, condenado a 30 anos de prisão; Rayfran das Neves, o Fogoió, condenado a 27 anos; Clodoaldo Batista, o Eduardo, condenado a 17 anos; e Amair Feijoli, o Tato, sentenciado a 27 anos.

Em nota, a família da missionária e a congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur dizem estar confiantes que a condenação de Galvão será mantida. “Regivaldo Galvão está condenado porque ficou provado que sentenciou Dorothy à morte, prometeu recompensa, organizou o envolvimento e ações dos demais, até o que apertou o gatilho seis vezes contra uma senhora de73 anos, 39 de Amazônia, naturalizada brasileira pelo amor ao seu povo, sozinha e indefesa numa vereda das matas.”

Defensora dos direitos de pequenos produtores rurais da região de Altamira (PA), área de intenso conflito fundiário, Dorothy Stang foi morta com seis tiros em fevereiro de 2005, na cidade de Anapu (PA).

Edição: João Carlos Rodrigues