Justiça ameaça prender líderes de greve em NY

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Publicado quinta-feira, 22 de dezembro de 2005 as 09:17, por: cdb

Um juiz estadual ameaçou ordenar a prisão de três líderes sindicalistas que estão organizando a greve de funcionários do sistema público de transporte de Nova York. A paralisação entrou no seu segundo dia nesta quarta-feira, forçando milhões de nova-iorquinos a encontrar meios alternativos de ir para o trabalho em meio a temperaturas abaixo de zero. O juiz Theodore Jones ordenou que os três sindicalistas compareçam a um tribunal nesta quinta-feira por causa da “distinta possibilidade” de serem presos. Jones já havia imposto uma multa de US$ 1 milhão ao sindicato por considerar que a paralisação viola as leis do Estado de Nova York. Um advogado do sindicato disse que a organização não tem condições de pagar a multa e apresentou comprovantes fiscais mostrando que indicam que a entidade tem apenas US$ 3,6 milhões.

Sem metrô nem ônibus, as pessoas tiveram que mais uma vez ir trabalhar andando, de bicicleta ou de carona nos carros dos outros. Lojas de bicicletas ficaram abertas até mais tarde para consertar veículos que haviam ficado parados por anos. Alguns tiveram de acordar de madrugada para evitar as restrições à circulação de carros com menos de quatro pessoas entre 6h e 11h da manhã em Manhanttan.

– Eu acordei três horas e meia antes, só para ficar no trânsito, com as pessoas nos xingando. Eu não vim (para Manhattan) ontem, peguei uma carona hoje e não sei como vai ser amanhã – disse Janine Colleta, de 21 anos, ao New Yok Times, que antes das 6h30 estava presa em um congestionamento entre o bairro do Queens. em Manhattan. A ilha de Manhattan é acessível apenas por pontes e túneis.

Em uma manifestação de resistência à greve, o prefeito Michael Bloomberg atravessou a pé a ponte do Brooklyn pelo segundo dia consecutivo para ir ao trabalho. Bloomberg, que classificou a greve de ilegal, disse, no entanto, que prender os líderes sindicalistas não resolveria nada e poderia até atrapalhar as negociações. O prefeito se disse a favor de multas ainda mais pesadas.

A cidade está até agora fora da disputa entre o sindicato e a Autoridade Metropolitana de Transportes (MTA, na sigla em inglês), que é administrada pelo Estado de Nova York. Os funcionários reivindicam melhores salários e reclamam do corte de benefícios trabalhistas. Eles alegam que os cortes são desnecessários já que o sistema público de transportes opera com um superávit de US$ 1 bilhão. A MTA, por sua vez, argumenta que o dinheiro é necessário para manutenção e reinvestimento. Diante do colapso nas negociações, o sindicato convocou a greve para terça-feira.  O líder da entidade Roger Toussaint disse que os funcionários estão cansados de ser “desvalorizados e desrespeitados”. Já o presidente da MTA, Peter Kalikow, diz que a ação do sindicato é “um tapa na cara” de todos os nova-iorquinos.

A greve ocorre em uma das épocas mais movimentadas em Nova York, quando as vitrines de Natal da cidade atraem turistas de toda parte. O custo da greve para a economia da cidade é estimado em US$ 400 milhões por dia. Esta é a primeira paralisação do sistema de transporte em massa desde uma greve em 1980, que durou 11 dias e custou bilhões de dólares a Nova York.