Juros se mantém estáveis e importações tendem a cair

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Publicado quarta-feira, 22 de agosto de 2001 as 22:14, por: cdb

O menor crescimento da atividade doméstica – em virtude do aumento das taxas de juros internos e da crise de energia elétrica – e a elevação da taxa de câmbio deverão contribuir para uma efetiva redução do ritmo de crescimento das importações.
A análise divulgada hoje no boletim sobre comércio exterior da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica também que esse movimento já vem observado para as exportações.
A diminuição nas vendas externas é uma resposta, segundo o documento, ao processo de desaquecimento econômico mundial, à crise argentina e às possíveis restrições na oferta exportável decorrentes do racionamento de energia, o que vai resultar em retração da expansão dos fluxos de comércio exterior brasileiro em 2001.
Além da análise sobre a evolução da atividade industrial doméstica, que segundo pesquisa da CNI manteve-se em queda no segundo trimestre deste ano, o boletim apresenta também avaliações sobre o andamento das conversações entre Mercosul e União Européia.
Segundo técnicos da entidade, a negociação entre os dois blocos regionais que têm estruturas e instrumentos muito diferentes de proteção tarifária coloca, para os negociadores do Brasil e do Mercosul, desafios complexos e específicos neste processo bilateral.
O documento avalia que esse cenário ganha maior complexidade ao se considerar que tais negociações ocorrem simultaneamente com as negociações da Alca e com o processo de ampliação da União Européia.
Na opinião dos técnicos, esse quadro reforça a necessidade do Mercosul manter uma consistência de sua estratégia de negociações externas, considerando o fato da negociação simultânea envolver seus principais parceiros comerciais em dois foros diversos, mas também a Organização Mundial do Comércio (OMC), um foro comum a todos.
Eles concluem que os integrantes do Mercosul devem ter claro, a exemplo do que ocorre com a UE e os EUA, o que se dispõem a negociar em âmbito preferencial e o que querem colocar em “reserva´ para as negociações multilaterais (na OMC), fixando assim um “teto” para as ofertas de liberalização comercial.