Juros altos derrubam o PIB, para surpresa de analistas econômicos

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Publicado quarta-feira, 30 de novembro de 2005 as 13:09, por: cdb

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou no terceiro trimestre deste ano a primeira queda desde o primeiro trimestre de 2003. Os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a soma das riquezas e serviços do país caiu 1,2% de julho a setembro, na comparação com o segundo trimestre do ano. No entanto, em relação ao terceiro trimestre de 2004, houve discreto crescimento de 1%.

De janeiro a setembro, a economia do país cresceu 2,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda segundo o IBGE, o resultado do terceiro trimestre de 2005, em relação ao segundo trimestre do ano, foi influenciado pelo fraco desempenho da agropecuária, que registrou queda de 3,4%, e da indústria, com recuo de 1,2%. O setor de serviços se manteve estável.

Entre julho e setembro, a economia brasileira cresceu 1% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas, na comparação com os três meses anteriores – de abril a junho – houve queda de 1,2%. A principal queda do terceiro trimestre do ano foi em investimentos em infra-estrutura – a Formação Bruta de Capital Fixo, na nomenclatura do IBGE. O setor teve queda de 2,1% em relação ao mesmo trimestre de 2004.

A queda do PIB no terceiro trimestre só não foi maior devido ao aumento do crédito ao consumidor, o que permitiu o crescimento de 0,8% no consumo das famílias, avalia o economista Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

– Se não fosse o consumo das famílias, a queda teria sido muito mais violenta. De um lado, não houve recomposição de renda, mas houve a facilidade do crédito, sobretudo do crédito consignado (financiamento com débito em folha de pagamento), que cresceu 80% neste ano. Além disso, os prazos de financiamento vêm se ampliando. Prazos mais longos e prestações menores permitem que as famílias gastem mais – afirmou.

Segundo relatório do Banco Central, em outubro as operações de crédito aumentaram 2% e totalizaram R$ 575,620 bilhões, o que corresponde a 30% do PIB – a soma de todas as riquezas produzidas no país nos últimos 12 meses.

Bolsa em queda

A Bolsa de Valores de São Paulo operava em queda na manhã desta quarta-feira, depois da divulgação de que o Produto Interno Bruto (PIB) teve desempenho pior do que o esperado no terceiro trimestre. A tendência, no entanto, segundo operadores, é de melhora nos negócios, em função da percepção de uma possível redução maior dos juros pelo Banco Central. No final da manhã, o Ibovespa operava em queda de 0,47%, a 31.502 pontos, com fraco volume.

– O primeiro impacto é normal ser de queda, afinal o PIB foi pior do que a gente esperava… mas depois deve melhorar ainda hoje, com a expectativa de um Copom mais benevolente – afirmou o diretor da Àgora Corretora Álvaro Bandeira.

Reação nos EUA

Nos EUA, as bolsas de valores operavam em alta no início dos negócios desta quarta-feira, após relatório do governo mostrar que a economia se expandiu mais rápido do que o esperado no terceiro trimestre. O Departamento de Comércio divulgou que a economia norte-americana cresceu 4,3% de julho a setembro, mais que os 3,8% reportados anteriormente pelo governo e acima das previsões de analistas. Os componentes de inflação permaneceram em linha com o esperado.

– É um relatório muito forte e sugere um forte quarto trimestre. Mesmo se a inflação não acelerar muito, o Fed continuará a elevar a taxa de juros ao menos mais duas ou três vezes – disse Kurt Carl, economista-chefe da Swiss Re nos EUA.

No início da tarde, o índice Dow Jones avançava 0,24%, para 10.914 pontos. O Standard & Poor’s 500 subia 0,22%, a 1.260 pontos. O indicador tecnológico Nasdaq% exibia oscilação positiva de 0,19%, a 2.237 pontos.