Julgamento de Saddam Hussein é adiado mais uma vez

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Publicado segunda-feira, 28 de novembro de 2005 as 12:23, por: cdb

Após uma pausa de 40 dias, o julgamento do ex-ditador do Iraque Saddam Hussein foi retomado e novamente suspenso nesta segunda-feira. Com o ex-presidente e sete colaboradores de volta ao banco dos réus, as poucas horas em que o julgamento teve andamento deram ao mundo a chance de ver um Saddam indignado com o tratamento que recebe. Também permitiu assistir ao primeiro testemunho que implica o antigo regime no massacre de xiitas a partir do qual a promotoria formulou as acusações de crime contra a Humanidade.

O juiz Rizgar Mohammed Amin ordenou o adiamento para que o ex-vice-presidente Taha Yassin Ramadan consiga um novo advogado. Ele rejeitou o advogado indicado pela corte depois do assassinato do que defendia, um dia depois da primeira sessão do julgamento, em 19 outubro. Outro réu, Barzan al-Tikriti, meio-irmão de Saddam, disse ao juiz que tem câncer e que o governo do Iraque concordou com seu tratamento médico fora da prisão. O juiz disse que não recebeu esse pedido, e ele queixou-se: – Isso é morte indireta.

A primeira testemunha de acusação também foi ouvida. Na audiência, a promotoria começou a apresentar o caso contra Saddam e sete integrantes de seu governo, acusados pelo massacre na cidade de Dujail, em 1982, quando 148 xiitas foram mortos depois de uma tentativa fracassada de assassinar o ex-líder do Iraque.

O tribunal ouviu o depoimento gravado de Wadah Ismael Al-Sheik, um ex-agente de inteligência iraquiano que morreu recentemente. Ele havia investigado a tentativa de assassinato contra Saddam em 1982.O ex-presidente voltou a desafiar os juízes no tribunal, depois de um intervalo de quase seis semanas no julgamento. Ele reclamou com o juiz presidente pelo modo como foi tratado pelos guardas, afirmando que foi negada a ele uma caneta para assinar os documentos legais.

Os oito acusados se declararam inocentes das acusações.O julgamento de Saddam foi adiado mais uma vez para o próximo dia 5 de dezembro.
Pelo menos quatro advogados de defesa não compareceram à audiência desta segunda-feira, mas o advogado de Saddam esteve presente.

Não está claro porque os advogados não compareceram, nem quem eles defendiam exatamente.Os advogados haviam ameaçado boicotar a audiência, depois que dois deles foram assassinados e vários outros foram ameaçados de morte, mas na semana passada mudaram de idéia depois que a segurança foi reforçada.

Saddam está sendo julgado no Tribunal Especial Iraquiano, construído especialmente para o julgamento na chamada Zona Verde. Ele foi o último a entrar no tribunal, vestindo um terno escuro e carregando uma cópia do Corão, o lívro sagrado dos muçulmanos.

Por ordem do juiz, os acusados não usaram correntes ou algemas dentro do tribunal. Em suas aparições anteriores no tribunal, Saddam havia se recusado a reconhecer a autoridade do juiz. Nesta segunda-feira ele voltou a discutir com as autoridades, afirmando que teve que subir os quatro andares do prédio pelas escadas, já que os elevadores estão quebrados.

Ele também reclamou por ter sido escoltado por “guardas estrangeiros”.
Em uma discussão com o juiz presidente do tribunal, Saddam reclamou porque os guardas confiscaram sua caneta, impossibilitando-o de assinar qualquer documento. – Vou alertá-los sobre o problema, disse o juiz Rizgar Mohammed Amin. – Não os alerte! Ordene-os. Você é iraquiano, você é soberano e eles são invasores, estrangeiros e ocupantes, disparou Saddam.


O julgamento é o primeiro do que pode ser uma série de acusações de abusos contra direitos humanos cometidos no regime de Saddam Hussein.
Se considerado culpado, Saddam pode ser executado. Grande parte dos 40 dias de intervalo no julgamento foi dominada por questões de segurança.
O ex-procurador-geral dos Estados Unidos Ramsey Clark, um crítico do tribunal especial, se uniu à equipe de defesa.

Clark, de 77 anos, viajou da capital da Jordânia, Amã, para Bagdá no domingo e disse que quer pro