Julgamento de Saddam é suspenso pela 24ª vez

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Publicado segunda-feira, 24 de abril de 2006 as 11:36, por: cdb

A 23ª audiência do julgamento do ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, foi adiada até o dia 15 de maio, após o reinício de uma audiência nesta segunda-feira, quando os advogados de defesa apresentaram uma lista de testemunhas ao tribunal que julga o ditador e outros sete colaboradores acusados pelo genocídio em uma aldeia xiita. Antes de o anúncio de mais uma adiamento do julgamento, o principal advogado de defesa, Khalil al-Dulaimi, apresentou ao Alto Tribunal Penal iraquiano uma lista de testemunhas pedindo que a mesma seja mantida em segredo devido a possíveis ameaças contra a segurança das pessoas.

A corte, segundo noticiou a agência francesa de notícias AFP, não revelou os nomes dos citados a prestar depoimento no dia 15 de maio. A 23ª audiência do julgamento iniciado em 19 de outubro passado centrou-se na leitura de um relatório policial que confirmou a autenticidade das assinaturas de sete dos oito acusados da chacina de xiitas, inclusive a de Saddam Hussein. Estas assinaturas constam dos documentos relacionados com o massacre de 148 xiitas de Dujail, norte de Bagdá, em represália a uma tentativa de atentado contra a comitiva do ditador em 1982.

A única assinatura que não foi confirmada é a de um ex-dirigente local do Partido Baath, Mezhar Abdulah Rueid. Todos os acusados, que se declaram inocentes, compareceram à audiência. Se for provada sua culpa, serão condenados à pena de morte. Na audiência desta segunda-feira, o promotor-geral Jaafar al-Musaui apresentou uma nova prova que se soma a muitas que vem acumulando. Trata-se de uma conversa telefônica entre Saddam e o ex-vice-presidente Taha Yasin Ramadan sobre a destruição, como castigo coletivo, de Dujail.

Na mesma gravação se ouve Yasin Ramadan comentar os planos da operação e o ex-presidente recomendar uma indenização os proprietários das casas e hortas destruídas. Barzan al-Tikriti, o meio-irmão de Saddam Hussein e chefe de seus serviços de inteligência na época, interveio para denunciar as conclusões do informe e disse que os resultados dos especialistas “são motivados por considerações puramente políticas”.