Julgamento de PMs do ônibus 174 vai se prolongar pela madrugada

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Publicado quarta-feira, 11 de dezembro de 2002 as 00:09, por: cdb

O julgamento dos três policiais militares acusados pela morte de Sandro do Nascimento, que manteve reféns em um ônibus do Rio em 12 de junho de 2000, vai se prolongar durante a madrugada. A previsão é de que termine por volta das 6h de amanhã.

Se forem condenados por homicídio doloso duplamente qualificado, o capitão Ricardo de Souza Soares, 42, e os soldados Flávio do Val Dias, 32, e Márcio de Araújo David, 32, terão de cumprir pena de 12 a 30 anos de prisão.

Os policiais disseram à juíza Maria Angélica Guedes que não tiveram a intenção de assassinar o criminoso. A ação, que ficou conhecida como o caso do Ônibus 174, terminou também com a morte de uma refém, a professora Geísa Firmo Gonçalves.

No início do julgamento, às 9h30, foram ouvidos os policiais. As cinco testemunhas de acusação serão ouvidas até a madrugada.

O advogado dos policiais, Clovis Sahione, abriu mão das testemunhas de defesa e preferiu apresentar somente filmes sobre o crime. A promotoria, no entanto, aceitou a dispensa, segundo o TJ (Tribunal de Justiça).

As fitas (matérias geradas por emissoras de TV no dia do sequestro) e o documentário ‘Ônibus 174’, de José Padilha serão mostradas.

Acusação

Os três policiais estavam no banco traseiro do carro da polícia que transportava Nascimento e são acusados de matá-lo por asfixia.

Os acusados afirmaram à juíza Maria Angélica Guedes que tentaram imobilizar o criminoso, que gritava muito. Disseram ainda que deram uma ‘gravata’, passando o braço em torno de seu pescoço, e que empurraram seu queixo para cima, para evitar que fossem mordidos.

Os PMs afirmam que, pouco depois, Nascimento perdeu a consciência e que tentaram reanimá-lo.

Sequestro

O sequestro do ônibus 174 ocorreu em uma das ruas mais movimentadas do bairro Jardim Botânico, zona sul do Rio.

Nascimento, armado com um revólver calibre 38, invadiu o veículo e manteve aproximadamente dez passageiros reféns por aproximadamente cinco horas.

O ônibus foi cercado pela polícia. Diante das câmeras, ele apontava a arma para as cabeças dos passageiros.

Durante as negociações, Nascimento desceu do veículo, usando Geísa como escudo. Foi então que um policial do Bope decidiu atirar, mas o assaltante revidou.

A refém, então com 20 anos, foi atingida por três tiros no tórax -disparados pelo sequestrador-, e um tiro de raspão no queixo -disparado pelo policial- e morreu na hora.

O crime virou filme. O documentário ‘Ônibus 174’ já ganhou prêmios, como a 26ª Mostra BR de Cinema de São Paulo e o Festival do Rio BR 2002.