Jornalistas são motivo de sátira em filme com Julia Roberts

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Publicado domingo, 19 de agosto de 2001 as 13:59, por: cdb

No dicionário Webster’s, o termo inglês “junket” é traduzido de três maneiras: espécie de coalhada, piquenique ou viagem às custas do governo. Já a expressão “press junket”, ausente no mesmo dicionário, tem um significado diferente: ela se refere aos eventos promovidos por uma empresa para lançar um produto junto à imprensa, como filme, disco, roupas, etc.
Na maioria das vezes, o ponto central de um “press junket” é uma entrevista coletiva, em que uma celebridade conversa por cerca de 15 ou 20 minutos com um grupo de cinco ou mais “junketeers”, como são chamados os jornalistas especializados nessas coberturas. As entrevistas costumam seguir um acordo tácito entre as partes, em que os entrevistadores se comprometem a não perguntar nada relevante, e os entrevistados concordam em não responder nada interessante.

Boa parte das entrevistas com estrelas do cinema e da música publicada nos jornais brasileiros ou estrangeiros é realizada nesse tipo de evento. Os “press junkets” não são uma espécie de coalhada mas têm um pouco de piquenique,pois quase sempre se serve comida, e de viagem, em geral custeada pela indústria do entretenimento.

Julia Roberts é a protagonista – Até pouco tempo atrás, a expressão “press junket” era um domínio quase exclusivo das assessorias de imprensa e redações de jornais e revistas. Agora, porém, ela está na boca dos americanos graças a um filme, um livro e um escândalo. O filme é Queridinhos da América (America’s Sweethearts), sucesso de público protagonizado por Julia Roberts, cuja ação se passa em meio a um “press junket”.

O livro é John Henry Days, sucesso de crítica escrito por Colson Whitehead, que tem um “junketeer” como protagonista. E o escândalo foi causado por uma série de episódios, como a invenção de um falso crítico pela Columbia Pictures para promoção de um filme e o processo contra um verdadeiro crítico do Hollywood Reporter por troca de favores, que desmoralizaram não só os grandes estúdios como os jornalistas de cinema.

Sátira – Tanto Queridinhos da América quanto John Henry Days pintam um retrato sarcástico da profissão de jornalista. John Henry Days é o retrato mais impiedoso da profissão já registrado em papel. O autor Colson Whitehead sabe do que está falando, já que foi crítico de TV do jornal Village Voice por muitos anos.

Como um veículo comercial para Julia Roberts, o filme Queridinhos da América, que estréia no Brasil em outubro, não tem o poder de crítica do livro John Henry Days, mas eles compartilham a mesma visão negativa sobre o jornalismo.