Jornalistas da Gazeta Mercantil pedem a assessores colaboração com a greve

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Publicado terça-feira, 6 de novembro de 2001 as 19:19, por: cdb

Caros colegas assessores de imprensa,

Como todos já devem saber, nós, jornalistas da Gazeta Mercantil, estamos em greve nacional, desde 15 de outubro, em conseqüência dos constantes atrasos no pagamento de salários, férias e depósitos do FGTS – direito inalienável do trabalhador, ignorado sistematicamente pela empresa. O movimento não reivindica aumento salarial, bônus de produtividade ou horas extras. Queremos apenas ser contemplados com aqueles direitos básicos, legais e contratuais, sem os quais nossa atividade produtiva pode ser classificado como trabalho escravo.

A greve nacional, aprovada em assembléia realizada em São Paulo, por 113 jornalistas, num universo de 120 votantes, é justa, legítima e defende os direitos de todos os trabalhadores da Gazeta, de contínuos a diretores, que sofrem com os atrasos de pagamentos, que, em determinados casos, chegam a até três meses de agonia.
Gostaríamos que vocês compreendessem as razões singelas e fundamentais
do nosso movimento porque estamos, direta e indiretamente, travando uma luta histórica pela manutenção de um mercado de trabalho importante, pela sobrevivência e a credibilidade de um dos principais jornais de economia e negócios do continente, que ora passa por essa crise dos 80 anos. A greve contribuiu muito para que a empresa não caísse em mãos de aventureiros.
Pelo menos até agora! Em momentos dramáticos como este, surgem os “pescadores de águas turvas, gente que não adere à greve para crescer na empresa, e assessores que se aproveitam da crise para apresentar pautas de seus clientes. Felizmente, estes compõem uma minoria patética. É a partir deste ponto que gostaríamos de dirigir um apelo aos colegas assessores. Que, claro, sem atrapalhar o trabalho básico das assessorias, evitem abastecer com pautas exclusivas a Gazeta Mercantil, neste período de caos. Além de colaborar com o movimento nacional dos jornalistas, os assessores,
assim, resguardam os próprios clientes de constrangimentos, como matérias repletas de erros, por causa da premência que se tem de fechar o jornal a qualquer custo, com poucos profissionais disponíveis, já que a greve obteve adesão maciça em São Paulo, no Rio e em Brasília – as principais praças do País.

Pedimos que não deixem de enviar avisos de entrevistas coletivas à
Gazeta porque, nesse caso, os colegas assessores seriam prejudicados, mas, por favor, pensem, sob todos os ângulos, antes de propor uma matéria exclusiva ao jornal.

Contamos com a sua colaboração

Rio de Janeiro, 6 de novembro de 2001.

Comitê de Greve da Gazeta Mercantil no Rio de Janeiro.