Jornalistas brasileiros discutem regulamentação profissional em manifesto à nação brasileira

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Publicado quarta-feira, 28 de novembro de 2001 as 22:47, por: cdb

Manifesto dos Jornalistas

Em um mundo globalizado como o que vivemos, o domínio da comunicação é sinônimo de posição estratégica no tabuleiro de xadrez do cenário econômico mundial. Não é à toa que a mais nova frente de ataque à organização dos trabalhadores no País seja o avanço agressivo sobre a categoria dos jornalistas profissionais e a sua regulamentação profissional, como um sinal claro dos maciços bombardeios contra os direitos trabalhistas, conquistados ao longo de nossa história e lutas por condições dignas de remuneração e trabalho no Brasil.
Assim, a mira dos ataques se fecha em alvos claros e importantes, a começar pela proposta de modificação do artigo 222 da Constituição brasileira que trata da propriedade e controle acionário dos meios de comunicação no País e a tentativa de aprovar a toque de caixa a emenda constitucional Pimenta da Veiga, que permite a entrada do capital estrangeiro na composição do controle acionário da mídia brasileira (empresas de rádio e TV, jornais, revistas etc), sem instrumentos claros de controle e fiscalização da entrada destes candidatos a novos donos da comunicação brasileira e sem aprofundamento do debate sobre a regionalização da notícia, em um jogo de cortina de fumaça que pretende escamotear mais um aviltamento à soberania nacional.
Em uma agressão direta, a tentativa que está sendo levada a cabo na Justiça Federal de São Paulo pela extinção do diploma para o exercício profissional do jornalismo. Uma agressão que pode resultar, conseqüentemente, na degradação da qualidade da informação disseminada e consumida no Brasil, com ferimentos profundos na ética e na democratização da informação em nosso País.
Por isso, os jornalistas brasileiros estão engajados nesta luta pela valorização da categoria e na defesa intransigente de sua regulamentação profissional, como ferramentas indispensáveis à qualidade da informação e ao jornalismo cidadão. O compromisso com a ética e com a prática profissional também são elos importantes na análise crítica dos fatos e na função do jornalista de interlocutor entre o poder e a sociedade..
Dessa forma, nós, jornalistas profissionais, enfatizamos a defesa de um exercício profissional protegido das pressões econômicas e políticas dos donos da mídia brasileira, já que como cidadãos que somos e conscientes do papel social da imprensa na construção de uma nova realidade social, com menos desigualdades e manutenção das práticas democráticas, não podemos aceitar que pessoas alheias a estes compromissos assumam posições de trabalho ilegítimas dentro da mídia do País.

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro