Jornalista é assassinado na Baixada e prefeito de Caxias vira suspeito

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Publicado sexta-feira, 17 de agosto de 2001 as 18:45, por: cdb

Mário Coelho Filho, 42, editor do jornal “A Verdade”, foi assassinado a tiros nesta quinta-feira, por volta das 18h, próximo a sua casa, na Rua Magé Portela, no município de Magé. Policiais daquela cidade acreditam que o crime pode ter tido motivação política ou passional. Promotores do Ministério Público, no entanto, assinalam o fato de que o jornalista era testemunha de acusação em dois processos contra o prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito, nos quais ele é réu por suspeita de formação de grupo de extermínio e corrupção.

Execução foi trabalho de profissional

Um pistoleiro de aluguel executou a tiros de pistola, calibre 45, o diretor administrativo do jornal “A Verdade”, jornalista Mário de Almeida Coelho Filho, de 42 anos, quando ele chegava em casa, na Rua Eduardo Portela, no bairro Barbuda, em Magé. A vítima dirigia seu Fiat Pálio, de cor branco, quando percebeu a aproximação do assassino e tentou fugir, mas foi perseguido e atingido mortalmente na cabeça. Tombou 20 metros adiante. Seu sepultamento ocorreu às 17h desta sexta-feira no Cemitério da Vila Esperança, em Magé.
O crime aconteceu por volta das 18h de quinta-feira, ao entardecer, e presenciado por várias pessoas. O criminoso foi descrito como um homem branco, aparentando ter 40 anos, 1,75 de altura, olhos verdes, rosto arredondado, do tipo nordestino, cabelos castanhos e grisalhos, meio calvo. Depois do crime, o pistoleiro recolheu a arma, que seria da vítima, acendeu um cigarro e caminhou tranqüilamente até um Omega, fugindo para local ignorado.
No local da execução, policiais arrecadaram um projétil de pistola calibre 45 dentro do carro do jornalista e uma cápsula, também de pistola, de calibre 7,65, próximo ao corpo, o que leva a polícia a crer que o Mário Filho também estivesse armado.

Jornalista era testemunha de acusação

Mario Filho morreu na véspera de depor no processo de calúnia movido pelo prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito, de quem era inimigo declarado, na Delegacia de Petrópolis. A vítima havia denunciado ao Ministério Público a compra de fogões a preços superfaturados pela Prefeitura de Caxias.
Mário Filho também acusou em seu jornal, a empresa Century Medical, que está sendo investigada pela Polícia Federal, por fraudes com dinheiro do SUS. Ele sustentou que, o dono da firma, Hiroito Neves Junior, recebeu cerca de R$ 110 mil por vendas ilegais à Prefeitura de Magé, em 96. Recebeu cheques, sacou a grana e devolveu o dinheiro para o então prefeito Charles Cozzolino.
Para o titular da 65ªDP (Magé), delegado Ricardo Hallak, não há dúvidas de que o assassino seja um pistoleiro profissional, possivelmente contratado para executar o jornalista. O criminoso, de acordo com testemunhas, foi visto, pelo menos, três vezes bebendo cerveja na Padaria e Lanchonete Raio do Sol – localizada na esquina da rua onde Mário morava – entre 17h30 e 18h, horário em que o jornalista costumava ir para casa.

Testemunhas reconhecem o assassino

Depoimento de testemunhas dão conta de que, nos dias que antecederam ao crime, o pistoleiro de aluguel esteve na padaria, ocupou a mesma mesa, no varandão do estabelecimento comercial, pediu uma cerveja e duas fichas de CD. Ouviu músicas dos cantores Amado Batista e Roberta Miranda, como se estivesse esperando o momento certo para cometer o homicídio.
Da varanda da padaria, o assassino tinha uma vista privilegiada do trajeto que Mário costumava fazer para chegar em casa. Enquanto o jornalista manobrava o carro, o homem pagou a despesa, deixou o estabelecimento comercial e caminhou em direção à residência da vítima. Quando o jornalista parou o carro, o pistoleiro sacou a pistola e disparou o primeiro tiro.
O projétil atingiu o alvo, mas não perfurou suficientemente o vidro do carro para atingir a vítima. Mário Filho tentou fugir, saindo do veículo pela porta do carona, mas o assassino o encurralou e descarregou todo o pente da pistola. O jornalista