Jornada de ataques violentos ao Iraque

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Publicado segunda-feira, 31 de março de 2003 as 15:56, por: cdb

As tropas da coalizão anglo-americanas atacaram nesta segunda-feira por ar e terra diversas localidades iraquianas, em uma das jornadas mais violentas desde o começo da guerra há 12 dias.

O general Vincent Brooks, porta-voz do comando americano no Qatar, afirmou nesta segunda-feira que a quantidade de iraquianos a favor da intervenção militar “está crescendo”, e que o objetivo é “libertar” o Iraque.

O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Naji Sabri, disse que 5 mil voluntários árabes estão em treinamento no Iraque para realizarem “ataques de martírio”.

Brooks disse que os ataques suicidas não são tática militar eficiente e que não interromperão o avanço dos EUA.

Brooks disse ainda que iraquianos estão oferecendo informações às forças aliadas, permitindo que as forças especiais ataquem alvos ligados ao regime de Saddam Hussein e “esquadrões de morte” em áreas urbanas.

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, disse que em decorrência da guerra no Iraque, “os grupos terroristas se reuniram e em lugar de lutar contra um Osama Bin Laden, teremos centenas de Bin Laden na região, e a Terra não será segura”.

Mubarak destacou ainda que “é necessário encontrar um mecanismo para remover as armas de destruição em massa da região, incluindo as de Israel, porque a presença das mesmas na área poderia, no futuro, levar a outros países a adquiri-las.”

Pela primeira vez na história militar, os três mais poderosos bombardeiros americanos – o B-1, B-2 e B-52 – atacaram à noite uma mesma área e ao mesmo tempo.

A coalizão aumentou nesta segunda-feira os ataques no sul do Iraque, próximo a Nasirya, com o objetivo capturar dirigentes iraquianos do primeiro escalão, entre eles Alí Al Majid, primo do presidente Saddam Hussein e apontado como o responsável pela resistência no fronte sul da guerra.

Oficiais americanos disseram que esse ataque foi dirigido após informações da CIA e da oposição iraquianos garantirem que Al Majid – acusado de lançar um ataque com armas químicas contra o povo curdos em 1998 – estava em Shatra, juntamente com outros integrantes do partido Baath, de Saddam Hussien.

“Foram lançadas bombas de precisão sobre quatro objetivos em Shatra. Tanques e veículos blindados chegaram aos limites da cidade e helicópteros atacaram os objetivos com fogo pesado”, disse uma fonte militar americana.

Najaf, 150 quilômetros ao sul de Bagdá, foi palco de duros combates entre forças da 3° Divisão de Infantaria americana e a Guarda Republicana, segundo um oficial dos EUA.

Os combates começaram na noite do último domingo (30), a leste de Karbala – 100 quilômetros ao sul de Bagdá, segundo o coronel Will Grimsley, da primeira brigada da 3° Divisão de Infantaria. “É o primeiro contato sério” com a Guarda Republicana, disse.

O Comando Central no Catar disse que mais de cem membros do que chamou de “equipes de terroristas” iraquianas foram mortos durante as operações militares da 3° Divisão e da 82ª Divisão Aerotransportada em Najaf e Saman.

Na periferia de Nasirya centenas de americanos rastreavam casas na periferia da cidade tentando anular focos de resistência. Segundo o comando militar, a revista é para garantir a entrada da ajuda humanitária.

O capitão britânico Al Lockwood disse nesta segunda-feira as forças de coalizão conseguiram controlar uma localidade no sul do Iraque, próximo a Basra.

Lockwood disse a BBC que o ataque a Abu al Khasib, 10 quilômetros ao sul de Basra, destruiu 17 tanques iraquianos T-55, cinco peças de artilharia pesada, sete veículos de transportes de tropas e cerca de 30 prisioneiros.

A coalizão também atacou nesta madrugada os arredores de Mossul, a maior cidade do norte do país, com 300 mil habitantes.

Baixas

Segundo o embaixador do Iraque em Moscou, Abbas Khalaf, disse que 589 civis morreram desde o início da guerra. Segundo Khalaf, citado pela agência russa Itar-Tass, 700 militares anglo-americanos foram mortos e outros mil ficaram feridos em