Jorge Amado morreu na Bahia

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Publicado segunda-feira, 6 de agosto de 2001 as 20:33, por: cdb

Morreu na noite desta segunda-feira em Salvador, capital do Estado brasileiro da Bahia, nordeste do país, o escritor Jorge Amado, 88 anos, considerado o maior romancista do brasileiro.

Ele se sentiu mal esta tarde em casa e foi levado ao Hospital Aliança, mas faleceu de parada cardiorespiratória. Jorge Amado completaria 89 anos em 10 de agosto.

Nos últimos anos, Jorge Amado teve várias crises cardíacas. Foi, inclusive, submetido a uma cirurgia em 1997. O seu quadro clínico foi se agravando em função da diabetes. Em março de 1998, o escritor recebeu o título de doutor honoris causa na Sorbonne, numa cerimônia para 300 convidados. Amado entrou no anfiteatro amparado por dois professores da universidade. Durante a homenagem, o “maior embaixador da cultura brasileira”, como o definiu a primeira-dama Ruth Cardoso, permaneceu sentado e parecia inquieto. O escritor não quis fazer um discurso, limitando-se a agradecer o título. Amado era casado com a escritora Zelia Gattai e tinha dois filhos – Paloma e João Jorge. Publicado em 46 países, traduzido em 36 idiomas, com livros adaptados para o cinema, o teatro, a televisão e o rádio no Brasil e no exterior, além de mais de 10 milhões de exemplares vendidos, Jorge Amado era o escritor mais popular e o de maior projeção internacional das letras brasileiras.

Membro da Academia Brasileira de Letras, Amado foi definido pelo crítico e ensaísta Antonio Cândido como “o maior romancista do amor, força de carne e de sangue que arrasta os seus personagens para um extraordinário clima lírico, da nossa literatura moderna”. Ainda que muitas vezes submetesse sua arte à motivação política e à intenção de uma reforma social, o escritor baiano produziu uma obra sem paralelo no cenário intelectual brasileiro. O escritor deixou dois romances inacabados: ‘Bóris, o vermelho’ e ‘A apostasia universal de Água Brusca’.