Johnny Depp está no filme Em Busca da Terra do Nunca

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Publicado sábado, 5 de fevereiro de 2005 as 10:03, por: cdb

Em Busca da Terra do Nunca, estréia da sexta-feira, traz Johnny Depp somando mais um personagem a seu repertório crescente de alto gabarito: o dramaturgo James Barrie, criador de Peter Pan.

O filme tem alguns poucos momentos fracos, quando retrata de maneira literal demais os fatos que influenciaram o escritor. Apesar disso, Terra do Nunca vale a pena ser visto e tem tudo para virar um clássico do estilo que arranca lágrimas do público.

Estamos em 1903. James Barrie já é um dramaturgo respeitado que conta com o apoio entusiasmado do produtor Charles Frohman (Dustin Hoffman), mas está perdendo a calma sobre sua última peça.

“Sinto que eu poderia fazer melhor”, ele admite. Barrie é escocês, mas não tem nada de sóbrio ou melancólico, como o estereótipo de seus conterrâneos. Pelo contrário. Ele deixa de lado sua bela esposa, Mary (Radha Mitchell), para levar seu cão Porthos para passear no parque.

Certo dia, enquanto está no parque, Barrie conhece uma família de quatro garotos e sua mãe, a viúva Sylvia (Kate Winslet).

Sintonizando-se de imediato com as brincadeiras de fantasia dos meninos, Barrie monta um “show” para eles, fazendo de conta que Porthos é um urso. “Que absurdo!” comenta um dos garotos. “Ele é apenas um cachorro.”

“‘Apenas!”‘, responde Barrie, revoltado. “Essa é uma palavra terrível, capaz de apagar uma vela.” Ele então começa a dançar com o “urso”, e a cena vira um picadeiro de circo, com animais, palhaços e mímicos.

A imaginação infantil do escritor cria uma conexão imediata com os meninos órfãos. Barrie logo começa a passar a maior parte de seu tempo com a família, participando das brincadeiras dos meninos, observando-os e fazendo anotações.

Cria-se um conflito não apenas com sua mulher, que, sentindo-se cada vez mais distante do escritor, procura um amante, mas também com a desagradável mãe de Sylvia, representada por Julie Christie.

As pessoas já comentam à voz pequena, não apenas pelo fato de Barrie passar tanto tempo com a bela viúva, mas também por ser um homem adulto que fica na companhia de quatro meninos.

Mas Barrie é tão inocente quanto Peter Pan, embora exista uma história de seu passado que o afete profundamente. Muitas dificuldades ainda estão pela frente, e Sylvia adoece com algo que parece ser bem mais grave do que uma simples tosse.

À medida que Barrie vai absorvendo todos os elementos que lhe permitirão criar uma peça de teatro mágica, o roteiro de David Magee traz à tona pequenos momentos que virariam ícones na obra-prima do escritor, tais como um sininho e um despertador que faz tique-taque. O filme possui uma doçura que em nenhum momento se torna exagerada.

“Meninos pequenos não deveriam ir para a cama nunca”, diz Barrie. “Quando acordam, estão um dia mais velhos, e, antes que você se dê conta do que aconteceu, já viraram gente grande.”

“Peter Pan” foi a primeira grande obra mundial de entretenimento infantil. O diretor Marc Forster mostra sua criação com grande afeto e atenção aos detalhes. Seu trabalho com os garotos — especialmente Freddie Highmore, no papel de Peter — é notável; eles competem em pé de igualdade com Johnny Depp pela atenção do espectador.