Jogadores da final da Copa de 1962 são homenageados com exposição

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Publicado segunda-feira, 25 de junho de 2012 as 13:46, por: cdb

Os jogadores das seleções do Brasil e da Tchecoslováquia que fizeram a final da Copa do Mundo de 1962, na qual os brasileiros se sagraram bicampeões mundiais ao vencerem a partida por 3 a 1, foram homenageados nesta segunda-feira (25), no Memorial da América Latina, em São Paulo.

Zagallo recebe de Aldo Rebelo placa comemorativa do bicampeonato

Os jogadores europeus Josef Masopust, Jirí Tichý, Josef Jelínek, Václav Mašek e Jozef Štibrányi se reuniram em uma sala antes da abertura do evento com os brasileiros Zagallo, Mengálvio, Pepe, Coutinho, Jair da Costa, Djalma Santos e Gilmar.

Nesse primeiro contato após 50 anos, o ex-atacante da seleção e do Santos, Coutinho, brincou ao ver o defensor Tichy sentado ao lado de Zagallo: “Ei, Zagallo, ele continua te marcando: está aí ao seu lado”. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, aproveitou a ocasião para cumprimentar os ex-jogadores. “É uma grande alegria homenagear os nossos atletas e os das Repúblicas Tcheca e Eslovaca, por quem temos muito carinho”. Aldo Rebelo ainda contou que seu pai ouvia aos jogos da Copa de 62, disputada no Chile, pelo rádio, e a cada gol soltava rojões. “Então, naquele dia foram três”, brincou Zagallo.

Após a conversa descontraída, os ex-jogadores e as autoridades se dirigiram ao auditório do Memorial da América Latina para a solenidade de abertura do evento. O meio-campista da Tchecoslováquia em 1962, Josef Masopust, foi o encarregado de falar em nome dos companheiros: “Em primeiro lugar, tenho que agradecer aos organizadores por essa homenagem. E tenho que dizer que o futebol brasileiro consegue tudo o que o futebol pode dar ao mundo. Neste momento, estamos muito satisfeitos de estar aqui com vocês”.

Pelo lado brasileiro, falou o ex-ponta-esquerda Pepe, que defenedeu a seleção e o Santos. Ele destacou a alegria de todos pela homenagem. “Passaram-se 50 anos, mas parece que foi ontem. A nossa alegria é ainda maior de estar aqui com os companheiros tchecos, que fizeram grande jogo, dificultaram e abrilhantaram aquela final”. No palco, o ex-capitão Bellini foi representado pelo filho, enquanto o lateral Nilton Santos por uma sobrinha. Os dois ex-jogadores enfrentam problemas de saúde e não puderam comparecer.

Agradecimentos

O ministro do Esporte agradeceu aos ex-jogadores brasileiros, tchecos e eslovacos pelo momento singular que proporcionaram naquela decisão, dando uma oportunidade para comemoração. “O futebol não é apenas esporte, é também uma aula de história e geografia para o povo. Descobrimos e redescobrimos nosso próprio país com a referência geográfica e de feitos históricos, como o de 62.”

Aldo Rebelo se dirigiu ao meio-campista Masopust para recordar a ocasião em que ele praticou o “jogo limpo” em relação a Pelé, que se contundira na primeira partida entre as duas equipas naquela Copa, válida pela primeira fase e que terminou empatada sem gols. “Aprendemos a conservar na memória os jogadores da Tchecoslováquia. Eles não tinham apenas uma grande seleção, mas um homem extraordinário, que deu exemplo não só como grande jogador, mas de respeito e de como mudar para melhor o comportamento humano”, disse o ministro, deixando o ex-atleta bastante emocionado.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, afirmou que o evento serve para renovar as forças para o país construir a Copa do Mundo de 2014 com êxito. “Sabemos o que envolve o futebol, a paixão e a esperança, em especial neste momento em que vivemos a expectativa de fazer a Copa de novo no país. Nesses momentos, recarregamos as energias para realizar o Mundial”.

Homenagens

A cerimônia também serviu de homenagem ao Chile, país sede do Mundial de 62, que passou por problemas para organizar a competição, após sofrer o maior terremoto que se tem registro, dois anos antes da partida de abertura. O cônsul chileno no Brasil, Hernán Bascuñan, exaltou a união do povo para realizar o evento depois daquela tragédia: “A Copa mudou a vida do meu país. A dificuldade de se organizar um Mundial já é enorme, e tivemos ainda mais dificuldades pelo terremoto. O sucesso do torneio se deve aos esforços do povo”. Bascuñan lembrou a famosa frase do dirigente chileno responsável pela organização da Copa no país: “Porque nada temos, tudo faremos”.

O vice-cônsul da República Tcheca no Brasil, Viktor Dolista, disse que aquela Copa foi um dos maiores acontecimentos do futebol do país. “Apesar de derrotados, nossos jogadores foram recebidos como heróis pelo povo”. Ele mostrou confiança na presença da seleção tcheca na Copa de 2014 e afirmou esperar por uma revanche na decisão com o Brasil, mas com um final diferente.

O embaixador da Eslováquia, Milan Cigan, lembrou as mudanças pelas quais o país passou, com a separação em duas Repúblicas, e ressaltou que a paixão pelo futebol permaneceu enorme nas duas nações. Ele também se mostrou confiante com a presença dos eslovacos no Mundial no Brasil.

O chefe da delegação dos jogadores da antiga Tchecoslováquia, Jiri Hora, que também é presidente do Clube de Amizade de Josef Masopust, entregou às autoridades presentes uma camisa da seleção tcheca, personalizada e na cor branca. A República Tcheca usa o vermelho, enquanto a Eslováquia, o azul. Em 1962, a cor usada era a branca.

Também estiveram presentes ao evento o diretor de Seleções da CBF, Andrés Sanchez; o secretario de Esporte e Lazer do Estado de São Paulo, Benedito Fernandes; o secretário nacional de Futebol do Ministério do Esporte, Luiz Paulino; o assessor internacional do ministro do Esporte, Carlos Henrique Cardim; o secretário estadual da Copa, Gilmar Tadeu; e o diretor do Memorial da América Latina, Adholfo Melfi.

Exposição

Após a cerimônia de homengaem aos ex-atletas, todos se dirigiram para a exposição “Cinquentenário da Copa do Mundo de 1962”, promovido pelo Minsitério do Esporte. A escalação do Brasil ficou completa quando se juntaram aos convidados os ex-jogadores da Seleção Brasileira de 1962 Jair Marinho, Amarildo e Altair.

A exposição, que será aberta ao público a partir desta terça-feira (26), das 9h às 18h, até o dia 8 de julho, apresenta painéis de fotos de quatro metros de altura com momentos históricos de todos os jogos do Brasil na Copa do Chile, textos e súmulas das partidas, camisas de jogadores e material da época. Outros destaques do evento são a exibição de réplica da taça Jules Rimet e a veiculação do vídeo completo da final de 1962, cedido pela embaixada da República Tcheca, além de imagens de gols e bastidores da seleção brasileira, cedidas pela Fundação Padre Anchieta.

Os ex-jogadores fizeram um passeio pela exposição e reviram seus lances históricos. A delegação tcheca ainda entregou camisas personalizadas aos ex-atletas brasileiros.

Fonte: Ministério do Esporte

 

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