João Paulo diz que manifesto de petistas não atrapalha reformas

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Publicado quinta-feira, 29 de maio de 2003 as 19:10, por: cdb

O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), disse no início da noite desta quinta-feira que o manifesto assinado por 30 deputados do seu partido, criticando a condução da política econômica pelo governo não prejudicará a tramitação das reformas tributária e da Previdência na Casa.

No documento, os petistas pedem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclua logo a transição da política econômica e retome a agenda da campanha presidencial de modo a dar ao país “novo ciclo de desenvolvimento, com distribuição de renda e inclusão social”.

Para Cunha, a atitude dos deputados foi normal e faz parte da vida partidária do PT.

– Eu acho que é natural que as pessoas tenham opiniões divergentes sobre a condução da política econômica. Ninguém pode ter a pretensão de ser absoluto em uma questão polêmica como é a condução econômica – declarou.

Segundo o presidente da Casa, a contestação faz parte da política petista e não deve ser extinta.

– Nós construímos durante tantos anos um partido de polêmica e de debate. Não é agora no exercício do poder que nós vamos eliminar isso.

Quanto à possibilidade de o manifesto acabar influenciando mais deputados ao ponto de prejudicar a aprovação das reformas, Cunha não se mostrou preocupado. Para ele, o documento é bem vindo, desde que o objetivo seja de ajudar o governo.

– Eu não vejo o manifesto com preocupação. São deputados que querem ajudar e tudo que for bom ou tiver a intenção de ajudar será bem vindo – disse Cunha.

O manifesto dos petistas descontentes acabou gerando uma provocação do PFL. O vice-líder do partido, Pauderney Avelino (AM), disse ao discursar no plenário que o PT está confundindo a oposição. “Desse jeito eu não sei mais se o PT é governo ou oposição”, afirmou.

Convocação extraordinária

Cunha confirmou nesta quinta que haverá convocação extraordinária da Câmara em julho para que, durante o período em que haveria recesso parlamentar, os deputados possam adiantar os trabalhos e permitir o início da votação das reformas pelo plenário no final do mês, ou no mais tardar, no início de agosto.