João Paulo Cunha pede para ser inocentado

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Publicado quinta-feira, 24 de novembro de 2005 as 12:37, por: cdb

Ex-presidente da Câmara, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) compareceu para prestar depoimento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, na manhã desta quinta-feira, e justificou o fato de não haver concedido nenhuma declaração pública desde que foi acusado de utilizar recursos irregulares das empresas de Marcos Valério. A causa para o seu silêncio, disse, foram matérias equivocadas que a maioria dos jornais brasileiros publicaram. Ele citou o diário paulista Folha de S. Paulo, que o condenou em um processo que sequer esteva concluído no Tribunal de Contas da União.

– Diante de uma crise dessa magnitude, você abre os braços na tentativa de se segurar, mas é levado pela imensa correnteza – ilustrou.

Cunha também explicou que foi levado a sacar R$ 50mil das contas de Marcos Valério Soares, a mando do então tesoureiro do partido, Delúbio Soares.

– Recurso se busca no tesoureiro do partido e foi o que eu fiz – disse.

João Paulo Cunha informou que o dinheiro foi usado para pagar pesquisa de opinião do partido em Osasco (SP) e pediu para que sua mulher não seja responsabilizada pelo saque:

– Pedi a ela para ir ao Banco Rural.

O deputado se defendeu da acusação de participar do suposto esquema de pagamento de mesadas a parlamentares, dizendo que não poderia ter recebido dinheiro para votar a favor do governo porque na época era presidente da Câmara e não participava das votações. Ele acrescentou que não recebeu dinheiro para mudar de partido, porque não fez isso; nem fez caixa 2, porque não foi candidato nas últimas eleições.

– Só faz caixa 2 quem faz caixa 1 e eu não fui nem candidato – afirmou.

João Paulo afirmou que não vai chamar testemunhas para o seu processo:

– Os outros 512 deputados são testemunhas do meu caráter – afirmou ele, que também disse esperar que seu processo termine rápido.

O episódio da caneta Mont Blanc que ele recebeu de presente do empresário Marcos Valério também foi alvo de questionamento por parte dos deputados. Segundo afirmou Cunha, o regalo “avaliado em R$ 45 mil”, segundo relatório encaminhado ao Conselho, não está mais com ele.

– Doei ao Programa Fome Zero – garantiu.

Diante do plenário da Comissão de Ética, João Paulo Cunha pediu a complacência dos pares.

– Peço com humildade a minha absolvição – resumiu.

O depoimento do deputado no Conselho de Ética começou por volta de 11h.