Japão pretende mudar sistema de segurança nuclear depois de acidentes no país

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Publicado quarta-feira, 30 de março de 2011 as 04:05, por: cdb
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Usina de Fukushima Daiichi, mudanças nas normas de segurança

O governo do Japão se comprometeu a mudar as normas de segurança nuclear para evitar vazamento de radiação. A decisão foi tomada depois dos acidentes nucleares ocorridos na Usina de Fukushima Daiichi após o terremoto, seguido de tsunami. Segundo o porta-voz do governo, Yukio Edano, as medidas, porém, só serão adotadas depois de solucionados os problemas em Fukushima.

– Não tínhamos preparo suficiente. Quando a crise acabar, temos de examinar o acidente de perto e promover mudanças profundas, afirmou Edano. Segundo ele, as atividades para conter as radiações no complexo de Fukushima deixaram a descoberto alguns erros. O porta-voz citou o caso dos dois funcionários da usina que se contaminaram com a água radioativa enquanto trabalhavam.

Há suspeitas ainda que a empresa Tokio Electric Power (Tepco), responsável pela usina,  negligenciou provas científicas e elementos geológicos históricos que indicavam que possíveis  terremotos e tsunamis gerariam consequências muito mais graves do que se estimava até então.

O eventual negligenciamento pode ter deixado a usina sem capacidade para enfrentar o terremoto e tsunami. No último dia 11, tremores de terra que chegaram a 9 graus na escala Richter destruíram cidades e mataram cerca de 10 mil pessoas. O temor pela contaminação de radiação tomou conta do Japão e dos países vizinhos.

Solução paliativa

O governo japonês planeja jogar uma resina solúvel em água sobre os destroços da usina nuclear de Fukushima Daiichi para conter o vazamento de radiação. A resina, segundo a agência japonesa de notícias Kyodo, deve ser jogada por um veículo não tripulado. A ideia é que a substância fixe qualquer radiação que eventualmente vaze nos destroços, impedindo contato com o exterior e principalmente com o vento – que poderia levá-la para outros locais.

Autoridades alertam, porém, que esta é uma técnica temporária, normalmente utilizada até que medidas de mais longo prazo possam ser feitas para conter as substâncias radioativas. Com a destruição de parte da estrutura da usina pelo terremoto e tsunami do último dia 11, além de explosões posteriores nos seus reatores, boa parte do complexo não é segura para o trabalho dos operários.

Com os esforços frenéticos para esfriar os reatores e remover água contaminada, o governo espera facilitar a tarefa ao tornar o trabalho mais seguro para os operários da Tepco no local.

Reatores nucleares

O governo japonês também ordenou nesta quarta-feira avaliações imediatas de todos os reatores nucleares do país para garantir que não serão registrados os mesmos problemas que os da central de Fukushima. Uma carta foi enviada pelo ministro da Economia, Comércio e Indústria, Banri Kaieda, aos principais executivos das nove empresas regionais de energia do Japão, assim como a outras duas empresas que administram centrais nucleares.

O fornecimento de energia foi cortado após o terremoto e maremoto, os reatores foram afetados e os sistemas de resfriamento deixaram de funcionar, o que provocou o aquecimento do combustível, explosões e vazamentos radioativos.

Depois de estudar os mecanismos e as lacunas que levaram a esta catástrofe, o ministério exigiu que todos os reatores em atividade sejam revisados rapidamente e que sejam adotados dispositivos para evitar novos acidentes.