Japão é derrotado e caça às baleias continua proibida em todo o mundo

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Publicado quinta-feira, 19 de junho de 2003 as 17:55, por: cdb

As duas propostas do Japão para reabrir a caça comercial de baleias de Bryde e baleias minke no Pacífico Norte foram derrotadas por 27 votos a 17, na reunião da Comissão Internacional de Baleias, encerrada nesta quinta-feira em Berlim, na Alemanha. Junto com a Islândia e a Noruega, o Japão ainda amargou derrota na tentativa de suspender a moratória mundial de caça às baleias.

Os países conservacionistas também conseguiram aprovar uma resolução, condenando a “caça científica”, subterfúgio utilizado pelos japoneses para desrespeitar os santuários e a moratória e continuar abatendo baleias, sobretudo na Antártica. A resolução, aprovada por 24 votos a 20, com 3 abstenções, deve desencorajar a Islândia, em sua pretensão de adotar a mesma estratégia do Japão e auto determinar cotas de “caça científica”.

Um grupo de 23 organizações não governamentais que acompanhavam a reunião denunciou, através de um boletim, a compra de votos de países caribenhos e africanos, pelo Japão. A publicação fez uma lista com a ajuda econômica recebida por tais países, chamados de “marionetes”. Os ambientalistas se recusaram a publicar uma retratação, enfurecendo as delegações do “bloco do yen” e provocando a suspensão dos trabalhos oficiais da CIB durante 3 horas.

Para o coordenador do Projeto Baleia Franca e integrante da delegação brasileira na CIB, José Truda Palazzo, embora o Santuário de Baleias do Atlântico Sul não tenha sido aprovado, o balanço da reunião é positivo. “O Brasil conseguiu, com o apoio de países como a África do Sul, aprovar uma verba extraordinária de quase US$ 55 mil para que o Comitê Científico da CIB patrocine a participação de pesquisadores de países em desenvolvimento”, conta.

“A proposta pretende fazer com que a CIB passe a considerar mais o conhecimento científico sobre baleias e golfinhos produzido em países em desenvolvimento, com vistas a ajudar nas recomendações para a sua conservação adequada”.

Os primeiros resultados do Comitê Científico já devem aparecer na próxima reunião anual da CIB, em Sorrento, na Itália, em junho de 2004.