Itamaraty não se responsabiliza para apurar paradeiro de brasileiro

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Publicado quinta-feira, 20 de janeiro de 2005 as 18:40, por: cdb

O Ministério das Relações Exteriores repassou para o Grupo Odebrecht a responsabilidade de apurar o paradeiro de seu funcionário supostamente seqüestrado nesta quinta-feira na cidade de Beiji, no Iraque. De acordo com o Itamaraty, o Núcleo Iraque da embaixada do Brasil em Amã, na Jordânia, mantém contato permanente com a unidade da Odebrecht no Iraque. Mas, até o momento, apenas recomendou à empreiteira que o caso seja tratado com a maior discrição possível, por razões de segurança. A empresa também se encarregará de prestar qualquer posição oficial sobre o desaparecimento do cidadão brasileiro no Iraque.

Conforme informou a assessoria de imprensa do Itamaraty, a Odebrecht havia pedido à embaixada brasileira em Amã que entrasse em contato com as autoridades iraquianas para solicitar ajuda oficial nas buscas e em possíveis negociações. Os responsáveis pelo Núcleo Iraque, entretanto, responderam que seria mais fácil e prático o contato direto entre a empresa e o governo local do que a intermediação diplomática a partir da Jordânia.

Até a tarde de hoje, o Itamaraty não havia recebido de sua embaixada ou da própria Odebrecht nenhuma posição sobre o que ocorreu com o profissional brasileiro – se foi seqüestrado ou se foi vítima de um ato político. O funcionário da Odebrecht viajava escoltado por dois seguranças da empresa Janusian Security Risk Management, um britânico e outro iraquiano, quando seu comboio foi atacado por rebeldes locais. Os dois seguranças morreram.

Embaixada

O governo brasileiro continua à espera da diminuição do nível de violência no Iraque para reativar sua embaixada em Bagdá, conforme informou a assessoria de imprensa do Itamaraty. No final de 2003, o governo brasileiro mostrou-se disposto a reorganizar o posto diplomático e chegou a nomear para a tarefa o ministro Paulo Joppert, atual chefe do Núcleo Iraque, em Amã. A embaixada brasileira em Bagdá havia sido desativada em 1991, durante a Guerra do Golfo, depois de um episódio particularmente sensível para o Brasil.

Na ocasião, o governo de Saddan Hussein reteve 500 brasileiros residentes no Iraque – na maioria, trabalhadores da empreiteira Mendes Júnior – e ameaçou utilizá-los como escudos humanos contra possíveis ataques americanos a edifícios públicos. A negociação para a libertação dos brasileiros foi conduzida pelos embaixadores Paulo Tarso Flecha de Lima, então chefe da representação do Brasil em Londres, e Antônio Amaral de Sampaio, subsecretário-geral de Assuntos Políticos do Itamaraty na época. Os bombardeios ao Iraque começaram três dias depois de os brasileiros terem sido libertados. Desde então, as relações do Brasil com o Iraque passaram a ser conduzidas por meio da embaixada brasileira em Amã.