Itaipu gera menos energia em função do racionamento

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Publicado sexta-feira, 17 de agosto de 2001 as 00:33, por: cdb

O diretor técnico executivo de Itaipu, Altino Ventura Filho, informou nesta quinta-feira que a usina deve fechar o ano com uma produção acumulada de 82 milhões de megawatts-hora (MWh), muito abaixo do recorde histórico de 93,4 milhões de megawatts-hora registrado no ano passado. Em virtude da redução no consumo de energia nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, com o racionamento em vigor desde junho, Itaipu reduziu a produção de energia, que atualmente está entre 15% e 20% menor do que a média normal. Algumas das 18 unidades geradoras da usina ficam eventualmente desligadas, o que vem ocorrendo desde junho.

Além da queda no consumo das regiões Sudeste e Centro-Oeste, um outro fator está permitindo que Itaipu e as demais usinas localizadas na bacia do Rio Paraná gerem menos energia. É que as usinas do Sul do Brasil, principalmente as da Copel e da Gerasul, no Rio Iguaçu, estão com os reservatórios cheios. O excedente de energia gerado pelo Sul está sendo enviado para o Sudeste pelas mesmas linhas de Furnas que transmitem a produção das nove máquinas de Itaipu que geram em 60 hertz (que é a ciclagem brasileira; outras nove unidades geram em 50 hertz, das quais uma parte vai para o Paraguai e o restante segue para São Paulo e abastece o mercado brasileiro).

Mas é o comportamento da população brasileira, em resposta à campanha de onscientização empreendida pelo governo, que está sendo fundamental para a redução do consumo e, conseqüentemente, da produção de Itaipu.

Rebaixamento – O diretor também afirmou que Itaipu não tem nenhuma responsabilidade
pela redução do nível do rio a jusante. Embora esteja recebendo menos água – cerca de 7 mil metros cúbicos por segundo, ontem, contra 10 mil metros cúbicos em períodos normais -, o reservatório estava em 219,07 metros acima do nível do mar – a faixa de operação normal fica entre 219,00 e 220,30 metros. Toda a água que entra na usina retorna ao Rio Paraná depois de utilizada para a geração de energia.

O Rio Paraná, na confluência com o Rio Iguaçu, estava ontem (15) 3,5 metros abaixo do índice de períodos normais, que é de 102 metros. “Para uma época seca como a que estamos vivendo, não se pode estranhar esta diminuição”, diz o diretor técnico executivo de Itaipu, lembrando que a bacia do Rio Paraná (principalmente os rios Grande e Paranaíba), onde estão as principais usinas da Região Sudeste, sofre atualmente um dos piores períodos de seca dos últimos 70 anos.

A Usina de Furnas, por exemplo, está com um armazenamento de apenas 15%. Por
causa disso, só gera durante três ou quatro horas por dia, paralisando seu funcionamento no restante do tempo para economizar água suficiente para viabilizar a operação.