Israelenses e palestinos voltam a dialogar

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Publicado quarta-feira, 26 de janeiro de 2005 as 10:16, por: cdb

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, aprovou o início das negociações diplomáticas com os palestinos em resposta a uma trégua dos ataques militantes garantida pelo novo líder Mahmoud Abbas, disseram autoridades nesta quarta-feira.

A decisão foi tomada horas antes da chegada do diplomata norte-americano William Burns à região. Ele integra uma nova missão da Casa Branca destinada a reativar o plano de paz conhecido como “mapa do caminho”, o qual prevê a criação de um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

O ministro da negociação palestino, Saeb Erekat, deverá se encontrar com assessores diplomáticos de Sharon em Jerusalém para lançar o novo diálogo.

O vice-primeiro-ministro israelense, Shimon Peres, disse que o objetivo inicial dos novos contatos diplomáticos é coordernar com os palestinos a planejada retirada israelense da Faixa de Gaza neste ano.

Sharon classifica o plano como “desligamento” de quatro anos de conflito.

-Nesta altura, está claro que o desligamento é unilateral como idéia, mas na prática é bilateral. Acho que chegou a hora de realizá-lo de forma bilateral, através do diálogo com os palestinos – declarou Peres à Rádio Israel.

Mas os palestinos temem que o plano de retirada de Gaza seja realizado às custas de um maior controle israelense na Cisjordânia, território também ocupado na Guerra dos Seis Dias (1967) e parte central do objetivo palestino de criar um estado viável.

Abbas, um político moderado, ganhou com folga a eleição de 9 de janeiro para suceder Yasser Arafat, realimentando as esperanças de paz no Oriente Médio. Mas Sharon cortou todas as comunicações com o presidente palestino cinco dias depois da vitória, quando homens armados em Gaza mataram seis israelenses em uma emboscada na fronteira.

Sharon retomou os contatos de segurança de maneira limitada na semana passada, a fim de permitir o envio de forças policiais palestinas para evitar ataques contra israelenses. Desde então Gaza vive uma calma.

Mas nesta quarta-feira, uma garota palestina de 3 anos morreu depois que tropas israelenses que vigiam um assentamento dispararam contra a cidade de Deir al-Balah, contaram médicos e testemunha. Eles disseram que o tiro entrou na casa de Rahma Abu Shamal, que foi atingida na cabeça.

Fontes militares israelenses afirmaram que soldados dispararam depois que militantes palestinos lançaram disparos de morteiros e foguetes contra alvos israelenses. Não ficou claro de imediato se foram esses disparos que mataram a menina.