Israel vai desmantelar assentamentos na Cisjordânia

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Publicado segunda-feira, 9 de junho de 2003 as 09:33, por: cdb

Israel vai anunciar uma lista de pequenos assentamentos judaicos sem autorização que serão desmantelados numa operação que poderia começar já na noite desta segunda-feira, disse a rádio estatal israelense. Segundo autoridades, inicialmente 15 colônias devem ser extintas.

Enquanto isso, o premiê palestino, Mahmoud Abbas, deu uma entrevista em que afirmou estar determinado a dialogar com grupos militantes palestinos com o intuito de frear a violência na região.

De acordo com o “road map” (rota da paz), novo plano com o objetivo de encerrar o conflito no Oriente Médio, Israel deve retirar os assentamentos criados desde março de 2001 e congelar a expansão de outras colônias.

Mas o premiê Ariel Sharon disse que apenas os postos avançados não-autorizados na Cisjordânia serão retirados.

O premiê palestino, Mahmoud Abbas, disse que vai a reiniciar contatos com militantes contrários ao processo de paz. Abbas, também conhecido como Abu Mazen, tentará convecê-los a abandonar a intifada (levante armado contra Israel).

Hamas e Jihad Islâmico, responsáveis por ataques contra soldados israelenses no fim de semana, criticam o diálogo com Israel e prometem dar sequência às suas atividades armadas.

Abbas pretende promover um cessar-fogo envolvendo todas as facções palestinas. Afirma que a via diplomática é a única alternativa no momento.

O general israelense Moshe Kaplinsky, comandante militar da região central (que inclui a Cisjordânia), tem negociado com os colonos e deve entregar ao governo uma lista dos assentamentos embrionários pouco populosos.

O número exato de assentamentos ilegais a serem desmantelados por Israel ainda não foi revelado. Muitos deles, porém, consistem apenas de alguns carros ou casas simples de material pré-fabricado no topo de montanhas.

Ainda segundo a rádio Israel, se o Exército e os colonos não chegarem a um acordo para a saída voluntária dos militantes judeus, os soldados começariam a retirá-los pela força.

O movimento que representa os moradores dos assentamentos promete resistir à ação dos militares e planeja novos protestos nas ruas do país.

Há mais de 100 assentamentos na Cisjordânia, mais de 60 dos quais foram erguidos desde a posse de Sharon, em 2001.

A comunidade internacional considera ilegais todos os assentamentos estabelecidos em territórios palestinos ocupados.

O chefe de governo israelense, porém, evita um choque frontal com os colonos, já que a sua coalizão conta com o apoio de partidos ligados à população dos assentamentos.

Sharon disse no domingo que Israel só levará adiante os compromissos assumidos na “rota da paz” se a Autoridade Palestina, liderada pelo premiê Mahmoud Abbas, adotar medidas para “combater o terror” de grupos militantes como Hamas e Jihad Islâmico.