Israel reforça tropas na fronteira do Líbano

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Publicado quarta-feira, 8 de outubro de 2003 as 10:21, por: cdb

As Forças Armadas de Israel, por ordem do ministro da Defesa, Shaul Mofaz, reforçaram nesta quarta-feira suas tropas na fronteira com o Líbano. Com a ação houve um bloqueio de todas as cidades palestinas da Cisjordânia, que dividiu em quatro setores a Faixa de Gaza.

O governo do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, pode decidir também uma convocação limitada de reservistas, depois que Mofaz, general na reserva, rejeitou as recomendações dos chefes do Estado-Maior e ordenou cancelar todos os cursos militares para esse deslocamento em massa de forças.

Mofaz informou aos chefes das Forças Armadas e aos do Serviço Geral de Segurança (Shin Bet) que a prioridade é prevenir ataques palestinos durante a Festividade dos Tabernáculos, que começará na próxima sexta-feira e durará uma semana.

A medida segue ao ataque de uma suicida palestina da Jihad Islâmica que conseguiu atravessar o “muro de segurança” levantado por Israel ao longo da Cisjordânia e causou a morte de 19 pessoas no sábado passado, ao imolar-se em um restaurante de Haifa.

O reforços dos efetivos também aconteceu na fronteira com o Líbano, onde se recrudesceu a tensão depois que a Força Aérea bombardeou no domingo passado na Síria, 12 quilômetros de Damasco, uma suposta base de treinamento militar de palestinos da Jihad Islâmica, da resistência islâmica (Hamas), e da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), segundo Israel.

Depois das celebrações do Dia do Perdão (Yom Kipur), na segunda-feira passada, as autoridades militares mantinham hoje de pé a clausura de todos as passagens na Cisjordânia e em Gaza, o que impedia dezenas de milhares de operários palestinos de entrar no país.

Soldados israelenses detiveram esta madrugada oito supostos ativistas palestinos em cidades da Cisjordânia, e oito colonos que pretendiam voltar a levantar um mini-assentamento judeu entre o de Kiriat Arba e a cidade de Hebron, à beira da “passagem dos que vão orar”, onde militantes palestinos emboscaram há meses e mataram onze israelenses, oito civis e três soldados.

Um número não precisado de batalhões de infantaria foi enviado à Cisjordânia, onde mais ou menos dois milhões de palestinos estão cercados desde ontem à noite dentro de suas cidades, informa o jornal Haaretz. Mofaz autorizou as Forças Armadas a mobilizar um número limitado de soldados da reserva, o que poderão fazer pois o conselho de Ministros também aprovou um orçamento especial com esse fim.

O Exército, diz o jornal de Tel Aviv, tem informações de que cinco células da resistência palestina, três em Nablus e duas em Jenin, estão tentando lançar ataques suicidas em Israel. Trata-se de células da Jihad (guerra santa) e de dissidentes da Al Fatah que se rebelaram contra seu líder, Yasser Arafat, e operam segundo instruções da República Islâmica do Irã.

Essas células também se proporiam ao seqüestro de soldados e emboscadas contra veículos israelenses em estradas da Cisjordânia, segundo fontes do dispositivo de segurança israelense. Quanto à populosa Faixa de Gaza, um bastião das organizações islâmicas, o Exército israelense, que protege nesse território cerca de 7 mil colonos judeus entre 1,4 milhão de palestinos, a dividiu em quatro setores, o que dificulta o trânsito de seus veículos devido aos controles militares.