Israel quer que Annan assuma processo de paz

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Publicado quarta-feira, 24 de março de 2004 as 19:58, por: cdb

Israel pediu na quarta-feira ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que assuma a liderança do processo de paz no Oriente Médio e convoque uma sessão especial da entidade para condenar o terrorismo. O chanceler Silvan Shalom fez o apelo a Annan depois que a Argélia, representando os países árabes, apresentou uma resolução ao Conselho condenando Israel pelo assassinato do líder do grupo palestino Hamas, xeque Ahmed Yassin, ocorrido na segunda-feira.

No debate de terça-feira à noite no Conselho, o homicídio de Yassin foi criticado como sendo parte da escalada de violência no Oriente Médio. Mas não houve acordo sobre uma declaração formal. Os Estados Unidos insistiram em não condenar a ação de Israel se não houvesse também menção aos atentados suicidas cometidos pelo Hamas contra civis israelenses.

“Acredito que a ONU pode e deve desempenhar um papel importante nos esforços da comunidade internacional para levar todos os moderados da nossa região a abandonar esses extremistas, e não dar a eles um resguardo para a avançarem nos seus crimes contra israelenses inocentes”, disse Shalom a jornalistas após reunião com Annan.

Ele disse que pediu ao secretário-geral, que condenou o assassinato de Yassin, que “convoque uma sessão especial da ONU contra o fenômeno do terrorismo”. Shalom disse que isso permitiria que “uma voz clara saísse desse prédio contra o terrorismo, contra o extremismo e contra o racismo”.

A Argélia, único país árabe do Conselho, apresentou na quarta-feira sua proposta de resolução contra Israel. Os EUA indicaram que podem vetá-la se ela for colocada em votação. “Ela não faz a condenação de recentes atos terroristas cometidos pela organização terrorista Hamas”, disse o embaixador norte-americano na ONU, John Negroponte. “Dissemos repetidamente que estas questões devem ser colocadas em contexto e não podem ser resoluções desequilibradas que condenam um lado”.

O representante palestino na ONU, Nasser Al Kidwa, disse na noite de terça-feira que não poderia aceitar qualquer resolução que mencione um determinado grupo palestino pelo nome. Shalom qualificou Yassin de “padrinho dos militantes suicidas”, responsável pela morte de centenas de israelenses.

No final do debate de terça-feira, EUA e Argélia não chegaram a um acordo sobre o texto da resolução. Uma declaração, que tem menos peso do que uma resolução, precisaria de apoio unânime dos 15 membros do Conselho.

Se uma resolução receber pelo menos nove votos e um veto dos EUA, os países árabes podem levar a proposta à Assembléia Geral, que reúne todos os 191 membros da entidade. Ali, propostas simpáticas aos palestinos normalmente são aprovadas, mas as decisões dessa instância não são de cumprimento obrigatório, como algumas do Conselho.