Israel não vai libertar prisioneiros palestinos nesta sexta-feira

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Publicado sexta-feira, 30 de maio de 2003 as 13:16, por: cdb

Ao contrário do que havia prometido, o governo de Israel não vai libertar prisioneiros palestinos nesta sexta-feira.

A informação foi anunciada por um porta-voz do Ministério da Defesa israelense.

Aproximadamente cem presos foram selecionados para sair da prisão em um gesto considerado uma demonstração de boa vontade de Israel após negociações “produtivas” entre o primeiro-ministro Ariel Sharon e seu colega palestino Mahmoud Abbas – também conhecido como Abu Mazen.

O porta-voz não apresentou razões para o atraso, dizendo apenas que a libertação seria revista pelas autoridades israelenses durante o fim de semana.

O relaxamento das restrições na entrada de palestinos em Israel vai começar, como planejado, na noite de sábado.

O encontro de quinta-feira foi o primeiro entre os dois chefes de governo desde que Sharon convenceu seu gabinete a aprovar o plano de paz proposto pela comunidade internacional.

Em alguns dias, eles devem ter um outro encontro, que será acompanhado pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, no balneário de Aqaba, na Jordânia.

Em um gesto habitual, o embaixador da Jordânia nos Estados Unidos, Karim Kawar, pediu para Abbas “travar uma guerra contra o Hamas e a Jihad Islâmica”, grupos militantes palestinos acusados de realizar atentados.

Em nota, Sharon disse que as conversas de duas horas e meia ocorreram em uma “atmosfera muito boa e positiva”. Já Abbas descreveu a reunião como “séria, cândida e benéfica”.

Os dois líderes pediram urgência um ao outro para tomar passos práticos na promoção da paz, com Sharon cobrando um endurecimento contra militantes palestinos.

Mas ainda não há acordo sobre a retirada das tropas israelenses de áreas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

Sharon, mais uma vez, prometeu a retirada, mas Abbas é relutante na tentativa de endurecer contra os militantes antes que um acordo de cessar-fogo seja selado com eles.

Abdel Aziz Al-Rantissi, o mais importante representante do grupo Hamas, diminuiu a significância do encontro da quinta-feira.

– Os palestinos não passaram por tantos sacrifícios para conseguir a libertação de um ou dois prisioneiros e a permissão de trabalho em Israel para algumas pessoas – disse.

Al-Rantissi disse que os ataques suicidas só serão interrompidos se Israel parar com toda “agressão”.

Numa entrevista publicada na quinta-feira, Mahmoud Abbas disse esperar alcançar um acordo com o Hamas para interromper os ataques contra israelenses.

Mas, antes, Rantissi teria dito que não sabia que esse acordo era planejado.

Com o relaxamento do bloqueio previsto para o sábado, palestinos com mais de 28 anos poderão se mover de uma cidade para outra dentro do território.

Também há a expectativa de que milhares de outros palestinos possam retornar a seus empregos em Israel.