Israel impõe novo toque de recolher

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Publicado domingo, 29 de setembro de 2002 as 22:49, por: cdb

Apesar de ter relaxado o cerco ao quartel-general do líder palestino Yasser Arafat, o Exército de Israel mantém tanques em Ramallah e reimpôs o toque de recolher à cidade.

Os tanques israelenses começaram a deixar o quartel-general de Arafat no meio da tarde deste domingo, mas, segundo a agência de notícias AFP, eles retornaram em menor número à noite, quando soldados anunciaram o toque de recolher por meio de alto-falantes.

Mais cedo, Arafat foi visto fora do complexo pela primeira vez em dez dias. Ele não falou com ninguém, mas mandou beijos e fez o sinal da vitória para um grupo de pessoas que o aplaudiam do lado de fora.

Também neste domingo, o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, chegou a Moscou para uma visita de três dias.

Iraque

O governo russo deverá demonstrar sua preocupação com a escalada da violência no Oriente Médio e sondar a posição de Israel em um possível ataque contra o Iraque.

Ao deixar o seu quartel-general neste domingo, Arafat acusou o governo de Israel de estar brincando com a comunidade internacional.

Lendo o texto de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, aprovada na semana passada, e que pedia o fim do cerco, Arafat disse que os termos do documento não foram respeitados.

“Os israelenses têm que se retirar imediatamente não apenas do complexo, mas de todas as cidades palestinas”, disse Arafat.

Ataques suicidas

As tropas israelenses sitiaram o quartel-general de Arafat após dois ataques suicidas, ocorridos há dez dias. Desde então, o complexo foi sistematicamente destruído e somente três prédios ainda permanecem de pé.

Um dos conselheiros de Yasser Arafat, Nabil Abu Rudeina, chamou o relaxamento do cerco de uma “farsa e uma fraude”.

Rudeina disse que Israel “está enganando a opinião pública quando diz que está se retirando do complexo e, na verdade, mantém o cerco em torno de Arafat e de seu quartel-general”.

Retirada

Repórteres no local dizem que tanques, caminhões blindados, jipes e tropas localizados dentro do QG começaram a deixar o complexo.

Os soldados israelenses também começaram a remover as bandeiras, os arames farpados, os sacos de areia e alto-falantes que tinham sido espalhados na área durante o cerco.

A decisão de suspender o cerco teria sido tomada durante uma reunião entre o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, e integrantes de seu gabinete no domingo pela manhã, apesar de não ter havido ainda um pronunciamento oficial sobre o assunto.

Há informações de que o plano do governo israelense é permitir que as pessoas que não fazem parte da lista de 50 procurados por Israel deixem o local.

Quem fizer parte dessa lista, no entanto, será preso no momento em que sair do quartel-general.

Sob pressão

Há rumores de que um acordo como o que deu fim ao cerco à Igreja da Natividade, em Belém, em maio, possa ser acertado.

O acordo poderia mandar os suspeitos para um exílio, provavelmente na Faixa de Gaza.

Os correspondentes dizem que a decisão de relaxar o cerco é o resultado da pressão feita pelos Estados Unidos.

O presidente americano George W. Bush escreveu para Ariel Sharon no fim-de-semana pedindo o fim do cerco.

Ameaça velada

Na semana passada, os Estados Unidos se abstiveram na votação de uma resolução, proposta pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que pedia a retirada das tropas israelenses do quartel-general da Autoridade Palestina em Ramallah.

Há também informações de que o ministro israelense do Exterior, Shimon Peres, faz uma ameaça velada de renúncia caso o cerco não fosse encerrado.

A oposição de esquerda de Israel recebeu positivamente o início da retirada das tropas do país do complexo.

O líder da oposição, Yossi Sarid, disse que o movimento das tropas israelenses pode ser encarado como um sinal de fracasso de “um governo tolo que é incapaz de enxergar dois passos à frente”.

Espera-se que as tropas permaneçam