Israel e Jordânia concordam em salvar o Mar Morto

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Publicado segunda-feira, 2 de setembro de 2002 as 13:12, por: cdb

O Mar Morto, na fronteira entre os dois países, está em um local reverenciado por judeus, cristãos e muçulmanos. Jesus Cristo teria sido batizado nas proximidades do mar; o mar está próximo ao Monte Nebo, onde a Bíblia afirma que Moisés viu a Terra Prometida; e próximo à fortaleza de Kerak, onde os combatentes muçulmanos venceram os cruzados cristãos em 1100.

Mas o mar está recuando cerca de 91 centímetros por ano, já que a sedenta região desvia virtualmente toda a água que originalmente seguia para o Mar Morto para o Rio Jordão.

Nos próximos 50 anos o mar deve perder metade de seu tamanho atual, afirmam as autoridades. Para evitar que isso aconteça, Israel e Jordânia planejam construir um canal de 140 quilômetros com um custo de aproximadamente US$1 bilhão para levar água do Mar Vermelho para o Mar Morto.

O projeto, que as autoridades descreveram como o maior investimento cooperativo entre as duas nações, deve ser iniciado após a realização de um estudo de nove meses.

A construção da obra pedirá três anos de trabalho, e os governos esperam financiar o projeto com doações de outras nações. As autoridades sustentam que o plano salvará o Mar Morto e preservará a vida selvagem, além da indústria do turismo, que floresce nas áreas próximas ao mar.

Mas possivelmente o maior dividendo é o sinal de que a paz e a cooperação ainda são possíveis entre árabes e judeus em uma região de intermináveis conflitos. Os ministros das duas nações, cujas relações vêm sendo abaladas pelos atos mais recentes de violência, reuniram-se em um hotel para discutir seus planos.

“Isso nos demonstra que vivemos em uma área com um destino comum”, afirmou Bassem I. Awadallah, ministro do Planejamento da Jordânia, em uma entrevista. “O meio ambiente, ecologia e a natureza não conhecem fronteiras ou conflitos políticos”.

Roni Milo, ministro israelense para a Cooperação Regional, concordou.

“Nós acreditamos que este é um importante projeto ambiental”, ele afirmou, “mas também será útil para as relações futuras da região”. “Isso pode nos demonstrar que em um problema ambiental nós podemos encontrar a cooperação entre os países que, em outras questões, encontram dificuldade em cooperar”.