Israel deflagra retaliação contra atentado

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Publicado terça-feira, 6 de dezembro de 2005 as 11:30, por: cdb

Israel iniciou nesta terça-feira, a partir da Cisjordânia, o que promete ser uma dura reação ao atentado suicida que na véspera matou cinco israelenses. Primeiro-ministro, Ariel Sharon liberou a repressão aos líderes da Jihad Islâmica, o grupo responsável pelo ataque de segunda-feira, em Netanya. Adversários políticos direitistas de Sharon o acusam de ser brando demais com os palestinos.

O Exército disse ter acirrado as restrições à movimentação de palestinos na Cisjordânia e realizado ações que levaram a 14 prisões. Testemunhas disseram que o pai e três irmãos do homem-bomba estão entre os detidos. Sharon reuniu seu gabinete de segurança para discutir a retaliação ao atentado contra um movimentado shopping de Netanya, na região central de Israel.

Na Faixa de Gaza, os líderes locais da Jihad Islâmica, que disseram ter cometido o atentado para vingar a recente morte de colegas, desligaram seus celulares para evitar que sejam localizados e mortos pelos israelenses. Fontes de segurança disseram que Israel pretende impor um duro golpe à Jihad Islâmica, comprometida com a destruição do Estado judaico, e enviar ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, a mensagem de que ele deve desarmar os militantes para conseguir a retomada do processo de paz.

Por outro lado, a reação precisará ser comedida, para evitar envolver o Hamas, um grupo islâmico ainda mais poderoso, que vem se mantendo relativamente quieto nestes nove meses da trégua declarada entre Abbas e Sharon.

– Será uma demonstração de força, mas nada que saia de controle – disse um funcionário de segurança.

O aumento da violência pode ser politicamente nocivo para Abbas e Sharon. Abbas tenta impor a ordem antes da eleição parlamentar palestina de janeiro, na qual o seu partido Fatah deve ser duramente desafiado pelo Hamas. Já Sharon tenta a reeleição em março, como líder de um novo partido de centro, criado por ele para contornar a oposição de sua legenda anterior, Likud, à desocupação da Faixa de Gaza.

A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, criticou o atentado de Netanya, o quinto desse tipo em Israel desde a trégua de fevereiro.

– Claramente há pessoas que desejam conter os eventuais progressos rumo à paz que israelenses e palestinos estão tentando fazer. Isso representa uma convocação para que os palestinos combatam o terror –  disse ela a jornalistas, enquanto viajava a Berlim.

Mediadores liderados pelos EUA esperavam que a retirada de Gaza levaria à retomada do processo de paz, mas a violência e as recriminações mútuas dificultam o progresso. O homem-bomba que agiu em Netanya era originário de Tulkarm, na Cisjordânia. Ele havia sido parado por seguranças antes de entrar no shopping, que também se chama Sharon. Mesmo assim, detonou os explosivos, matando um guarda e quatro comerciantes e ferindo mais de 40 pessoas.