Israel critica cessar-fogo de Mazen

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Publicado quinta-feira, 27 de janeiro de 2005 as 07:24, por: cdb

O ministro israelense de Assuntos Exteriores, Silvan Shalom, criticou, nesta quinta-feira, o cessar-fogo de fato conseguido pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas (Abu Mazen) da resistência pois se trata de “uma bomba-relógio”.

– Uma bomba-relógio que nos explodirá na cara. – declarou Shalom desde Washington à emissora de rádio das Forças Armadas israelenses, “Galei Tsahal”, após reunir-se com a nova Secretária de Estado Condoleezza Rice.

A cessação de hostilidades por 30 dias, com vistas a uma trégua bilateral, foi negociada pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) com representantes das principais facções da resistência contra a ocupação israelense em Gaza e Cisjordânia.

– Um cessar-fogo em si não é um objetivo válido, pois quem pensa que isso é o que deve ser feito, está errado. – declarou Shalom ao considerar que o presidente palestino deve “desarmar as facções terroristas”.

Se não o fizer, segundo Shalom, essas facções da resistência gozarão do direito de veto durante as negociações de paz futuras, baseadas no “Mapa de Caminho”, o plano do Quarteto de Madri, cada vez que não estiverem satisfeitos com sua aplicação.

Portanto, “não se pode tomar o cessar-fogo como um objetivo de longo alcance”, já que “se conservarem suas infra-estruturas, as facções extremistas poderão voltar a seus ataques terroristas em todo momento e mandar ao diabo o processo para chegar à paz”, acrescentou Shalom.

Por sua vez, em declarações ao jornal libanês An-Nahar, publicadas hoje, o presidente Abu Mazen afirma que a ANP e Israel proclamarão um cessar-fogo bilateral dentro de duas semanas.

Fontes do governo israelense informavam hoje que dentro de duas semanas o primeiro-ministro Ariel Sharon se reunirá com o novo líder palestino, cujas gestões para controlar as milícias palestinas e reduzir a violência, são elogiadas em Israel.

Segundo as fontes israelenses, antes de abordar as negociações de paz, Sharon está decidido a resolver “os problemas de segurança”, entre estes, precisamente, o desarmamento dessas facções, o que implica no perigo de uma guerra fratricida entre os palestinos.

Abu Mazen declarou ao jornal libanês que as negociações de paz começarão uma vez que cessar a violência de ambas as partes, em cujo caso Israel também terá que terminar suas operações contra os palestinos e retirar-se das cidades palestinas autônomas da Cisjordânia.