Israel abre consulta pública sobre obras em local sagrado

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007 as 11:55, por: cdb

Israel continuará com as escavações perto da mesquita de Al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado do Islã, mas vai abrir um processo de discussão pública sobre os planos de construir ali uma passarela para pedestres, disseram autoridades nesta segunda-feira. Na sexta-feira, a polícia israelense entrou em choque com manifestantes palestinos que protestavam contra as obras realizadas do lado de fora da mesquita.

Uma autoridade do gabinete de Uri Lupolianski, prefeito de Jerusalém, disse que a decisão de realizar novas consultas sobre a continuidade do projeto acabaria por adiar o início da construção da passarela.

– Tomou-se essa decisão devido ao caráter delicado do plano e depois de encontros e discussões com representantes de moradores de Jerusalém Oriental que pediram para analisar o projeto e dar suas opiniões. Apesar dessa decisão, os trabalhos de restauração realizados pela Agência de Relíquias de Israel e que estão previstos para durar meses, ainda vão acontecer – afirmou Gideon Schmerling, porta-voz da Prefeitura da cidade.

O governo israelense alega ser obrigado por lei a salvar objetos antigos antes de iniciar a construção da passarela que deve substituir a atual rampa que leva ao complexo no qual está a Al-Aqsa. A rampa foi considerada insegura depois de ter sido danificada por uma tempestade de neve e um terremoto em 2004. Líderes muçulmanos convocaram manifestações para protestar contra as obras de escavação –realizadas a cerca de 50 metros do complexo onde fica a mesquita– e países árabes pediram a Israel que suspenda as atividades no local, afirmando que elas podem minar as fundações da Al-Aqsa.

O Estado judaico promete que nenhum lugar sagrado sofrerá danos. O complexo, onde havia antes dois templos bíblicos e de onde, segundo os muçulmanos, Maomé subiu aos céus, fica em Jerusalém Oriental, parte árabe da cidade capturada por Israel em 1967 e depois anexada em uma manobra que continua sem ser reconhecida pela comunidade internacional.