Irmãos Richthofen vão a júri popular

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Publicado sábado, 22 de março de 2003 as 11:21, por: cdb

Suzane Louise von Richthofen, de 19 anos, e os irmãos Daniel Cravinhos de Paula e Silva, de 25 anos, e Cristian Cravinhos de Paula e Silva, de 27 anos, foram pronunciados nesta sexta-feira pelo presidente do Tribunal do Júri, Alberto Anderson Filho. Com isso, os três serão submetidos a júri popular pela morte de Manfred Albert Von Richthofen e sua mulher Marísia Von Richthofen, no dia 31 de outubro de 2002.

O juiz acolheu a denúncia do Ministério Público na íntegra. O trio será julgada por homicídio triplamente qualificado (promessa de pagamento e pagamento e motivo torpe; asfixia e meio cruel; e recurso que impossibilitou defesa das vítimas),e por fraude processual, em razão da encenação feita no local do crime para induzir a polícia a acreditar na existência de um crime de latrocínio.

Apenas Cristian responderá pelo furto de jóias, avaliadas em R$ 10 mil. O MP decidiu não denunciar Suzane e Daniel pelo crime de furto, uma vez que no momento da subtração destes bens e valores, já havia ocorrido a transferência sucessória, pela morte das vítimas, da herança dos bens da família para Suzane e seu irmão Andreas.

Os réus terão que aguardar o julgamento pelo Tribunal do Júri na cadeia. O juiz manteve a prisão cautelar dos três. “Embora os réus sejam primários e não ostentem antecedentes, os crimes de homicídio pelos quais serão julgados são de extrema gravidade, estão classificados como hediondos e causaram intenso clamor público, de modo que, caso os réus não permaneçam privados da liberdade, a ordem pública poderá não estar garantida, assim como a própria segurança deles eventualmente poderá estar em risco”, afirma Filho.

Quando interrogados pela primeira vez pela justiça, os réus admitiram terparticipado dos fatos que resultaram na morte do casal. De acordo com a denúncia, os namorados Suzane e Daniel atuaram “embalados por motivação torpe, consistente em vingança contra os pais dela, ante a proibição do namoro, e pela ameaça de deserdação, pretendendo absoluta liberdade para viverem seu romance e dinheiro, decorrente da herança que receberia”.

Por meio cruel, o MP entendeu o uso de porretes e o estrangulamento mediante uso de toalha e saco de lixo. Pela denúncia, o crime foi planejado para que as vítimas fossem pegas de surpresa, sem qualquer possibilidade de reação ou defesa.

O promotor Roberto Tardelli estima que a pena máxima para o trio seja de 60 anos em razão de uma série de atenuantes de que os réus poderão se beneficiar, como o fato de a Suzane ser menor de 21 anos e os três serem réus confessos.