Irlanda do Norte começa maior julgamento de militante em décadas

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 6 de setembro de 2011 as 10:54, por: cdb

Irlanda do Norte começa maior julgamento de militante em décadas

Por Ivan Little

BELFAST (Reuters) – O maior julgamento de militantes na Irlanda do Norte (Ulster) em mais de 20 anos começou nesta terça-feira, forçando a polícia a mobilizar reforços para proteger testemunhas e os parentes das vítimas.

Quatorze supostos membros do grupo militante Força Voluntária do Ulster (UVF), pró-Grã-Bretanha, enfrentam um total de 97 acusações relacionadas, na maior parte, ao assassinato do líder de um grupo rival, a Associação pela Defesa do Ulster (UDA).

As acusações se baseiam nas evidências fornecidas por dois irmãos que estão presos pela participação no assassinato de 2000.

Um grande número dos chamados “supergrasses” – informantes que costumavam fornecer provas contra ex-parceiros – testemunhou na Irlanda do Norte nos anos 1980 , o que levou à condenação de centenas de suspeitos irlandeses nacionalistas e pró-britânicos.

Mas o sistema foi desacreditado depois que a maioria dos réus foi libertada na fase de apelação.

O líder da UDA, Tommy English, foi morto a tiros em sua casa nos arredores de Belfast em outubro de 2000, durante uma briga entre a UDA e o UVF que acabou em sete mortes.

David e Robert Stewart, que estão cumprindo 3,5 anos de prisão por cumplicidade no assassinato, concordaram em fornecer provas em troca da redução de suas penas.

Todos os réus são suspeitos de pertencerem ao UVF. Um deles, Mark Haddock, supostamente trabalhou como um informante da polícia e comandou o UVF no norte de Belfast.

Parentes das vítimas de homicídios do UVF assistiam aos procedimentos de um prédio separado guardado por dezenas de policiais que os protegiam de intimidações durante o julgamento.

A violência nas ruas cometida por militantes pró-britânicos aumentou nos últimos meses em meio à frustração sobre o acordo de paz de 1998 que pôs fim a 30 anos de conflito na Irlanda do Norte, no quel morreram 3.600 pessoas. A polícia disse que militantes nacionalistas irlandeses que se opunham ao acordo estão mais perigosos do que em qualquer época desde 1998.

(Reportagem de Conor Humphries)

Reuters