Iraquianos são interrogados pelo FBI nos EUA

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Publicado quinta-feira, 20 de março de 2003 as 19:16, por: cdb

A polícia federal americana (FBI) começou a interrogar nesta quinta-feira, milhares de iraquianos residentes nos EUA para buscar informação sobre possíveis atentados terroristas, uma medida criticada por organizações de defesa dos direitos fundamentais.

Aparentemente, o FBI analisou uma lista de 50 mil nomes de iraquianos que vivem nos EUA e pretende fazer interrogatórios “voluntários” com 11 mil deles, mas não informou do motivo pelo qual escolheu este grupo específico.

“Se os indivíduos se recusarem a ser interrogados e estiverem no país de forma legal, não sofrerão represálias”, declarou um funcionário do Governo.

No entanto, a União das Liberdades Civis dos EUA (Aclu), uma organização de defesa dos direitos fundamentais, afirmou em um comunicado que esta medida, “em vez de fortalecer, pode impedir os esforços para capturar terroristas”.

“Ao mesmo tempo em que estão pedindo ajuda aos iraquianos para impedir atos terroristas, o FBI está perdendo seu apoio ao tratá-los como suspeitos”, disse Dália Hashad, uma ativista da Aclu.

Sua organização indicou que o FBI disse a líderes muçulmanos dos EUA que a presença de um advogado durante as entrevistas “voluntárias” sugeriria que o indivíduo “tem algo a esconder”.

“É improvável que pessoas com informação se apresentem caso sintam que o fato de terem um advogado os tornará suspeitos aos olhos do Governo e o fato de não tê-lo os deixará mais expostos para serem detidos sem justificativa ou algo pior”, afirmou Hashad.

Este programa de interrogatórios se soma a outras medidas voltadas para cidadãos de países de maioria muçulmana que vivem nos EUA.

Atualmente, dezenas de milhares de homens maiores de 16 anos de certos países do Oriente Médio, norte da África, sul da Ásia e algumas outras regiões tem que se apresentar às autoridades de imigração, sob pena de serem detidos ou deportados.