Iraquianos de Bagdá ignoram ameaças e pretendem votar

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Publicado sexta-feira, 28 de janeiro de 2005 as 08:50, por: cdb

Apesar de os rebeldes prometerem matar todos os que votarem, muitos iraquianos de Bagdá se dizem dispostos a fazê-lo no domingo.

– Tenho de votar porque nossa situação é instável demais. Criminosos com armas acham que podem mandar, mas no domingo a maioria pacífica vai silenciá-los. Não estou assustado, porque estes terroristas estão perdendo e, mesmo que eu morresse, me tornaria um mártir – disse Sarmad Basheer, um muçulmano sunita de 42 anos.

O governo anunciou medidas excepcionais de segurança para este fim de semana. As fronteiras terrestres foram fechadas e o toque de recolher noturno nas cidades foi ampliado. No dia da votação, todo o tráfego não-oficial será proibido nas ruas e estradas.

– Definitivamente não estou assustado, porque estou confiante de que a segurança será suficiente. Os terroristas são covardes e traidores, atacam alvos não-protegidos – disse Muhsin, um idoso que regava seu jardim.

– “Vou votar no 169 ou no 285 – declarou ele, referindo-se aos números que identificam uma aliança xiita que deve vencer a eleição e a lista eleitoral liderada pelo primeiro-ministro interino Iyad Allawi, também xiita.

Os xiitas, que formam 60% da população, vêem nas eleições a possibilidade de assumirem o controle político do país. Vários partidos árabes sunitas, por outro lado, decidiram boicotá-las, dizendo que a violência dos guerrilheiros vai impedir os sunitas de votarem, o que distorcerá o resultado em favor dos xiitas.

– Não vou votar porque ninguém na minha área fala de eleições e, além do mais, eu votaria no Partido Islâmico Iraquiano, mas ele se retirou – disse Hamid Al Jubouri, um comerciante sunita de 31 anos.

Ele afirmou, contudo, que os iraquianos comuns não querem uma guerra civil.

-Não estou disposto a lutar uma guerra civil, e nenhum outro sunita que eu conheço está – disse Jubouri.

Abu Omar, 73, que vive na zona sul de Bagdá, disse torcer por mais estabilidade após o pleito.

– Sou sunita, mas meus quatro filhos são casados com mulheres xiitas. Saddam se foi e estamos todos contentes. Tudo o que esperamos para nós é viver em paz – observou ele, acrescentando que deve votar no partido do veterano líder laico sunita Adnan Pachachi.

Najla Al Ani, 21, estudante de biologia, disse que gostaria de votar por candidatos que prometeram pressionar os Estados Unidos a se retirarem do país.

– Sou patriota e adotaria votar, mas estou assustada – admitiu ela.

Ani disse que a maioria dos iraquianos está cansada da violência e que os insurgentes são cada vez mais malvistos.

– Estes criminosos que decepam cabeças estão perdendo apoio em áreas que inicialmente os recebiam bem – disse ela.