Iraque promete entregar relatório sobre armas no dia 7 de dezembro

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Publicado terça-feira, 3 de dezembro de 2002 as 14:42, por: cdb

O governo do Iraque anunciou nesta terça-feira que entregará às Nações Unidas um relatório sobre suas armas de destruição em massa no dia 7 de dezembro, na véspera de um prazo imposto por meio de uma resolução do Conselho de Segurança.

O anúncio foi feito no dia em que inspetores da ONU faziam sua primeira visita de surpresa a um dos palácios presidenciais de Saddam Hussein como parte de suas buscas por arsenais e instalações militares proibidas.

Os especialistas permaneceram menos de duas horas no complexo de Al Sujud, no centro de Bagdad. As inspeções de armas foram retomadas na semana passada, após quatro anos de intervalo, e estão agora no seu sexto dia.

As inspeções dos palácios presidenciais geraram um contencioso entre as Nações Unidas e o Iraque desde o final da Guerra do Golfo, em 1991.

O Iraque argumentava que buscas nos palácios seriam uma violação do princípio de soberania e uma ameaça à sua segurança nacional, e exigia avisos prévios e que as vistorias fossem acompanhadas de diplomatas estrangeiros.

Os inspetores visitaram oito palácios presidenciais em 1998. Al Sujud foi vistoriado em 1° e 2 de abril daquele ano.

Nesta terça-feira, a correspondente da CNN Rym Brahimi disse que os guardas de serviço no portão do palácio de Al Sujud demonstraram estar “genuinamente surpresos” com a chegada da delegação da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), seguida pelo comboio de jornalistas.

Posteriormente às inspeções dos palácios presidenciais em 1998, os especialistas não encontraram provas de que Saddam estivesse usando os complexos para produzir armas químicas ou biológicas, afirmou Roger Hill, o chefe da missão de inspetores no local.

“Nós não encontramos, até esse estágio, nenhum sinal de itens proibidos”, disse Hill.

Denúncia de irregularidade
Nas vistorias de segunda-feira, os inspetores detectaram a falta de equipamentos listados e de câmeras instaladas pela ONU no passado no complexo de mísseis de Al Karama, em Bagdad.

O equipamento desaparecido não foi especificado pela ONU, mas poderia ser usado para fins civis ou militares.

“Os iraquianos alegaram que parte do equipamento foi destruída por bombardeios, e parte foi transferida para outras instalações”, declarou Hiro Ueki, um porta-voz da atual equipe de inspeção.

O complexo de Al Karama – descrito pelas Nações Unidas como um importante parque de desenvolvimento de mísseis – foi alvo de bombardeios aéreos da coalizão liderada pelos Estados Unidos após a última rodada de inspeções, em 1998.

Autoridades iraquianas disseram à CNN que 18 tipos diferentes de mísseis atingiram o complexo em dezembro daquele ano.

A descoberta de segunda-feira marca a segunda vez, desde o reinício das buscas da ONU, na semana passada, que os inspetores relatam o desaparecimento de equipamento anteriormente listado.

Na quinta-feira passada, o equipamento encontrado em uma fábrica de vacina animal não batia com o de um inventário elaborado pelos inspetores que fecharam as instalações em 1996 por estas estarem produzindo armas biológicas.

Os inspetores foram então informados que o equipamento procurado havia sido transferido para outro local, ao norte de Bagdad, para onde se dirigiram imediatamente, podendo confirmar a veracidade da informação.

Advertência de Bush
Em Washington, o presidente George W. Bush declarou na segunda-feira que os sinais de que o Iraque vá se sujeitar aos novos esforços de desarmamento da ONU “não eram encorajadores”.

O presidente norte-americano exortou o Iraque a respeitar o prazo de 8 de dezembro — quando deve apresentar um relatório sobre seus supostos programas de armas de destruição em massa, conforme determina a resolução 1.441 do Conselho de Segurança da organização mundial.

“Essa declaração tem que ser crível e completa, ou, mais uma vez, o ditador iraquiano terá demonstrado ao mundo que escolheu não mudar seu comportamento”, afirmou Bush.