Iraque nega “sérias omissões” em declaração de armas

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Publicado domingo, 22 de dezembro de 2002 as 23:27, por: cdb

Enquanto mais sete instalações do Iraque eram vistoriadas pelos inspetores de armas das Nações Unidas, o assessor da Presidência iraquiana Amir Al-Saadi rejeitava, neste domingo, as alegações de Washington e Londres de que há sérias omissões na declaração de armas entregue por Bagdad à ONU.

Em entrevista coletiva, o general Al-Saadi declarou que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha “são os únicos atores nesse jogo macabro” e que suas acusações são apenas “velhos relatórios reescritos”, os quais o Iraque já refutou.

“Após 24 dias de inspeções cobrindo praticamente todos os locais citados naqueles relatórios e depois da apresentação de nossa declaração em 7 de dezembro, as mentiras e as alegações infundadas foram reveladas”, afirmou. “A verdadeira parte das meias verdades aparece em detalhes em nossa declaração”.

Al-Saadi indicou ainda que seu país estava preparado para receber um agente norte-americano a fim de comprovar que o Iraque não tinha nada a esconder.

“Nós não nos importaríamos se alguém dos serviços de inteligência norte-americanos acompanhasse as equipes de inspeção para lhe mostrar os locais nos quais eles alegam haver algo”, disse.

Al-Saadi citou um pronunciamento do Departamento de Estado norte-americano acusando os iraquianos de ignorar em sua declaração “os esforços do país para adquirir urânio de Níger”.

“Não era urânio”, respondeu. “Era óxido de urânio – não uma arma – em meados dos anos 1980. Isto está na declaração. E não houve nova aquisição ou tentativa de aquisição”.

Al-Saadi também acusou o ex-chefe dos inspetores da ONU Richard Butler de tentar plantar provas de que o Iraque estava produzindo o gás VX, uma arma química letal.

“Houve uma tentativa de produzir, em abril de 1990, uma quantidade de VX, mas não obtivemos sucesso”, alegou. “O material se degradava rapidamente e a produção foi abandonada por ter sido considerada um desperdício. Não havia gás VX”.

Negando as acusações, Al-Saadi exortou os Estados Unidos e outros países a “deixar que os inspetores façam seu trabalho”.

Enquanto se desenrolam as inspeções da ONU no Iraque, Washington incrementa seus preparativos para uma possível nova guerra no Golfo.

Na sexta-feira passada, o presidente norte-americano George W. Bush disse que a declaração iraquiana entregue no dia 7 de dezembro “não era encorajadora” e que seu governo “honrará os termos e as condições” da resolução 1.441 do Conselho de Segurança da ONU, que determina que o Iraque se desarme.

Mas o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Igor Ivanov, enfatizou neste domingo a oposição de Moscou a qualquer ação unilateral dos Estados Unidos contra o Iraque.

“Nosso objetivo comum é assegurar que o Iraque não tenha armas de destruição em massa”, disse Ivanov, de acordo com a agência de notícias russa Interfax. “Isso tem que ser alcançado com base na resolução 1.441 do Conselho de Segurança da ONU. Todos os outros objetivos ultrapassam os limites de nossos interesses”.