Iraque e Síria retomam relações diplomáticas após 25 anos

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Publicado terça-feira, 21 de novembro de 2006 as 12:09, por: cdb

O Iraque e a Síria restabeleceram, nesta terça-feira, relações diplomáticas plenas, encerrando um período de afastamento de 25 anos. Os iraquianos esperam que a manobra ajude a coibir o que consideram ser o apoio sírio a militantes que atuam em seu território. Autoridades do Iraque afirmaram que três pessoas, entre as quais um bebê, foram mortas em um ataque aéreo dos EUA contra um reduto de uma milícia xiita em Bagdá, durante uma operação para capturar o líder de uma célula de sequestradores acusada de envolvimento no desaparecimento de um soldado norte-americano.

O ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid al-Moualem, na primeira visita de um ministro sírio ao Iraque desde a invasão liderada pelos EUA, em 2003, assinou um acordo com seu colega iraquiano, Hoshiyar Zebari, no qual os dois países concordam que os soldados norte-americanos devem continuar no Iraque por enquanto. Moualem havia pedido antes a elaboração de um cronograma para a retirada dos 140 mil militares. O documento assinado agora diz que os soldados devem sair gradualmente do Iraque quando a presença deles não se mostrar mais necessária.

Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança dos EUA, pediu que a Síria oferecesse provas de seu comprometimento em ajudar o governo iraquiano.

“Uma das primeiras medidas que a Síria deveria tomar seria aumentar a vigilância de sua fronteira com o Iraque e impedir a passagem de combatentes estrangeiros para dentro do território iraquiano”, afirmou, em um comunicado.

Em meio a pressões para que o presidente dos EUA, George W. Bush, negocie com a Síria e o Irã para ajudar a estabilizar o Iraque, o presidente iraquiano, Jalal Talabani, deve visitar Teerã no sábado e, dentro em breve, viajar até Damasco, disse Zebari.

Fronteiras abertas

Autoridades norte-americanas e iraquianas acusam o governo sírio de não adotar medidas suficientes para impedir a entrada de combatentes estrangeiros e armas no Iraque. A Síria diz ser impossível fechar a extensa fronteira e cobra dos iraquianos uma vigilância mais eficiente. Os militares dos EUA disseram na segunda-feira que entre 70 e cem combatentes estrangeiros continuavam cruzando a fronteira entre os dois países a cada mês.

Sobre o bombardeio de terça-feira, os norte-americanos afirmaram que ele aconteceu depois de soldados dos EUA e do Iraque terem sido atacados durante uma operação na qual capturaram sete pessoas, entre as quais o homem acusado de liderar o grupo que teria sequestrado o soldado Ahmed Kousay Altaie, norte-americano. Autoridades das áreas de segurança e saúde do Iraque disseram que três pessoas foram mortas e ao menos 15 ficaram feridas no bombardeio contra a favela de Sadr City, um reduto da milícia xiita Exército Mehdi, liderada pelo clérigo Moqtada al-Sadr.

– Onde está a porcaria desse governo? Que culpa tem essa criança? Ela também é da milícia? Deus aceita isso? O Islã aceita isso? – perguntou Abu Ahmed, tio do bebê, que o carregava.

O ex-ditador do Iraque Saddam Hussein e o ex-presidente da Síria Hafez al-Assad eram líderes de alas rivais do partido Baath e cortaram relações diplomáticas quando a Síria ficou do lado do Irã durante a guerra Irã-Iraque (1980-1988).