Iraque detém acusado por ataque à ONU

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Publicado segunda-feira, 24 de janeiro de 2005 as 15:39, por: cdb

O Iraque anunciou ter prendido um militante acusado de envolvimento em mais de 30 atentados com carros-bomba, entre eles aquele contra a sede da ONU em Bagdá que matou o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

Em mais uma ação dos rebeldes contra as eleições do próximo domingo, um carro-bomba explodiu nesta segunda-feira perto da sede do partido do primeiro-ministro interino Ayad Allawi, ferindo ao menos dez pessoas.

Um comunicado do escritório de Allawi afirma que as forças de segurança detiveram em 15 de janeiro Sami Mohammed Ali Said al-Jaaf, também conhecido como Abu Omar al-Kurdi.
Ele é descrito como “um dos mais letais integrantes do grupo de Abu Musab al-Zarqawi”.

O governo iraquiano disse que “Al-Kurdi confessou ter armado 75 por cento dos carros-bomba usados em ataques em Bagdá desde março de 2003”.

Em agosto de 2003, uma forte explosão de carro-bomba em frente à sede da ONU na capital iraquiana matou 22 pessoas, entre elas Sérgio Viera de Mello, representante especial da ONU no país.

As autoridades iraquianas afirmam ainda que Al-Kurdi havia sido instruído por Zarqawi – que encabeça a lista dos mais procurados do Iraque – a explodir locais de votação para intimidar os iraquianos antes das eleições do próximo domingo.

Al-Kurdi teria admitido ter planejado também os atentados contra a embaixada da Jordânia, contra uma base militar italiana em Nasiriyah e o assassinato do líder xiita Mohammed Baker al-Hakim.

O Iraque anunciou a prisão também de Hassan Hamad Abdullah Mohsen al-Duleimi, responsável por fazer “propaganda” para Zarqawi.

Ataque em Bagdá

A explosão desta segunda-feira no centro de Bagdá aconteceu perto da área fortificada onde ficam prédios do governo e a embaixada dos Estados Unidos.

Segundo testemunhas, um carro-bomba explodiu em um posto de controle perto dos escritórios do partido do primeiro-ministro Allawi.

Pelo menos dez pessoas ficaram feridas. Segundo autoridades, Allawi não estava na área no momento da explosão.

O ataque foi reivindicado por partidários do líder militante Abu Musab al-Zarqawi, que publicaram uma nota em um site islâmico na internet.

Acredita-se que Zarqawi tenha declarado guerra ao que ele chamou de “princípio mau da democracia”.

Ele qualifica a eleição como uma armadilha americana para colocar a maioria xiita no poder.
Uma gravação divulgada em um website islâmico supostamente do militante nascido na Jordânia pediu aos muçulmanos sunitas que combatam a votação.

Insurgentes vêm realizando ataques em todo o país, num momento em que o Iraque se prepara para as eleições gerais programadas para 30 de janeiro.

A correspondente da BBC em Bagdá Caroline Hawley diz que a violência e intimidação estão influenciando a reta final da eleição em todos os seus aspectos.

Por exemplo, os locais das zonas de votação só serão revelados nos últimos momentos, e uma grande operação logística está sendo realizada em segredo para transportar as urnas e cédulas de votação.

Reféns

Integrantes do grupo liderado por Zarqawi também colocaram na internet um vídeo em que eles são vistos matando um motorista de caminhão egípcio às vistas do público.

O vídeo mostra o motorista sendo executado com um tiro na cabeça em uma rua enquanto o tráfego continua circulando.

Acredita-se que a vítima tenha sido seqüestrada na cidade de Ramadi. Ele se identificou como Mohammed Ismail e fez um apelo para que outros motoristas estrangeiros evitem trabalhar no Iraque.

A agência de notícias France Presse noticiou que um segundo vídeo mostra dois iraquianos sendo decapitados em público.

Eles seriam funcionários de uma empresa libanesa que presta serviços para as tropas americanas em Ramadi.

Esforços

O embaixador americano no Iraque, John Negroponte, admitiu nesta segunda-feira que os insur