Iraque critica detalhes da resolução da ONU sobre inspeções de armas

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Publicado domingo, 24 de novembro de 2002 as 18:13, por: cdb

O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Naji Sabri, enviou uma longa carta às Nações Unidas reclamando sobre detalhes da resolução do Conselho de Segurança da organização que exige a realização de inspeções irrestritas para determinar se o país possui arsenais químicos, biológicos ou nucleares.

No documento de 15 páginas, endereçado ao secretário-geral da ONU Kofi Annan, Sabri diz que a resolução, seu cumprimento e os procedimentos por ela estabelecidos contradizem a lei internacional, na opinião do Iraque.

Sabri argumenta que há alegações infundadas de que, no passado, o Iraque dispôs armas de destruição em massa em formação de combate.

O ministro também afirma que uma possível operação militar contra o país só poderia ser empreendida com o aval do Conselho de Segurança.

As críticas à resolução 1.441 não devem, no entanto, interferir no trabalho dos inspetores da ONU, que reiniciam suas buscas por armas de destruição de massa na quarta-feira, após quatro anos de interrupção.

Aceitando a contragosto a resolução, o Iraque havia prometido enviar esta carta — datada de sábado, e divulgada neste domingo — detalhando suas objeções ao documento do Conselho de Segurança.

Neste domingo um porta-voz da ONU informou que uma equipe da organização está dando continuidade aos preparativos para as inspeções de armas.

Trinta e oito funcionários das Nações Unidas estão instalando computadores, aprontando veículos e montando os laboratórios a serem usados pelos inspetores, que começam a chegar ao país na tarde de segunda-feira.

A ONU também vem tentando incluir mais árabes na equipe de inspetores. Dos 300 listados, seis são jordanianos e um é marroquino.

A resolução aprovada pelo Conselho de Segurança esse mês ameaça o Iraque de “sérias conseqüências” – como uma ação militar liderada pelos Estados Unidos — caso não conceda aos inspetores acesso pleno e ilimitado às instalações que estes solicitarem vistoriar.

A resolução também exige que o Iraque divulgue suas possíveis capacidades para fabricação de armas de destruição em massa até o dia 8 de dezembro. Bagdad, no entanto, nega possuí-las.