Iraque apresenta novas forças armadas

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Publicado sábado, 4 de outubro de 2003 as 14:57, por: cdb

O primeiro batalhão das novas forças armadas iraquianas se formou neste sábado, em Qarqush, cerca de 100 quilômetros ao nordeste de Bagdá, enquanto nesta capital os soldados do antigo exército protagonizaram graves distúrbios em protesto pela falta de pagamento de seus salários.

Segundo disse o tenente-general Luis Feliu, junto ao principal responsável de defesa da Autoridade Provisória no Iraque (CPA), compareceram à formatura vários representantes do Conselho de Governo e o chefe da CPA, o americano Paul Bremer. Bremer destacou que o novo exército que hoje se formou defenderá um Estado democrático e já não servirá, como no passado, para oprimir seu próprio povo.

No ato, foi hasteada uma única bandeira, a do próprio batalhão. A insígnia iraquiana oficialmente não está vigente e é o Conselho de Governo quem deve decidir como será a nova bandeira nacional.

O batalhão, de aproximadamente 700 homens, é formado majoritariamente por membros do antigo exército iraquiano que passaram um treino de aproximadamente nove semanas. É uma unidade de infantaria ligeira comandada por um tenente-coronel, e seus componentes estarão equipados com armas leves (AK-47), no entanto ainda não contam com veículos de transporte nem blindados.

O novo exército iraquiano, que espera chegar a 40 mil homens antes do fim de 2004 se conseguir financiamento para isso, terá funções como o controle do território, a vigilância das fronteiras e o apoio à população e às autoridades civis, acrescentou Feliu. Por enquanto, não estão dentro de suas missões os trabalhos de antiterrorismo, que continuam em mãos dos militares da coalizão ocupante liderada pelos EUA.

Estas forças armadas também não vão contar com uma Marinha de Guerra, mas com uma espécie de Guarda Costeira composta por um batalhão que estará estacionado no porto de Um Qasr, o único do Iraque, e pelas dotações de cinco patrulheiras. O novo exército veste o “uniforme de deserto”, ou seja, mimetizado com cores claras, não muito diferente do que os militares americanos e espanhóis utilizam no Iraque.

Também se apresentou hoje, embora sem armas, o segundo batalhão, que começará seus treinos imediatamente e se formará dentro de nove semanas. O exército iraquiano, um dos mais antigos do Oriente Médio, tinha sido desmantelado no último dia 23 de maio, junto a outros organismos de Segurança do regime anterior, por ordem de Bremer.

A decisão deixou sem trabalho cerca de 400 mil pessoas, e dias depois provocou uma violenta manifestação na qual morreram dois ex-oficiais, mortos por tiros das tropas americanas. Mais precisamente foram ex-soldados os que também causaram hoje, nas primeiras horas do dia, graves distúrbios no antigo aeroporto de Muthana, transformado em centro de pagamento de salários para antigos militares, e os distúrbios se estenderam depois à parte antiga da cidade.

Os protagonistas foram dois mil jovens soldados do extinto exército e mutilados de guerra, que estão há seis meses sem receber seu salário apesar de ter sido prometido por diversas vezes um pagamento de US$ 40.

Os distúrbios deixaram pelo menos seis feridos, segundo o oficial de polícia Hussein Obaid, e entre eles havia pelo menos dois civis. Também houve agentes agredidos a pedradas. Depois dos distúrbios, no lugar se via uma enorme quantidade de pedregulhos no asfalto, junto com cartuchos de bala e um tronco de palmeira em chamas, e seis veículos blindados americanos se alinhavam para impedir que curiosos se aproximassem.

Duzentos jovens, a maioria brandindo barras de metal e descamisados, se dirigiram depois à parte antiga da cidade enquanto gritavam “é esta a liberdade que nos tinham prometido?”. Ao chegar a rua Al Joumhuriya, tentaram saquear uma filial do banco Al Rafidain, mas a Polícia o impediu, o que originou uma salva de pedradas contra os agentes, que dispararam ao alto durante pelo menos dez minutos para impedir o saque. Finalmente, os jovens se retiraram prometendo voltar, “e a próxima vez com