Irã e Iraque condenam discurso do “Estado da União” de Bush

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Publicado quarta-feira, 30 de janeiro de 2002 as 18:22, por: cdb

O primeiro discurso do presidente George W. Bush sobre o “Estado da União” gerou reações irritadas por parte dos países que ele classificou como “patrocinadores do terror” – particularmente o Irã e o Iraque que, junto com a Coréia do Norte, foram descritos como “eixos do mal”. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Kamal Kharrazi, ao tomar conhecimento do discurso do presidente norte-americano disse: “Com essas declarações arrogantes, o governo americano mostra sua verdadeira face e prova a vontade de espalhar sua hegemonia pelo mundo”. O Iraque acusou os Estados Unidos de praticar “terrorismo de Estado” contra aqueles que não se renderam aos pedidos do país. Os grupos militantes mencionados no discurso de Bush, como os palestinos Hamas e Jihad Islâmico, também desprezaram as ameaças feitas pelo presidente americano, que disse que os Estados Unidos estão prontos para agir contra eles.

No seu discurso dirigido ao Congresso e à nação, Bush afirmou que suas três prioridades são ganhar a guerra contra o terror, tornar os Estados Unidos mais seguros contra ataques e reaquecer a economia. O presidente norte-americano disse que a guerra dos Estados Unidos contra o terrorismo está longe de terminar. Segundo Bush, um de seus objetivos é “impedir que regimes que patrocinam o terror ameacem os Estados Unidos ou seus amigos e aliados com armas de destruição em massa”. Ele disse ainda que a Coréia do Norte está equipada com mísseis e armas de alto poder de destruição. “O Irã continua a se armar agressivamente e a exportar o terror”, acrescentou o presidente.

“O Iraque segue expondo sua hostilidade em relação aos Estados Unidos e apoiando o terror”, declarou. “Países como esses, e seus aliados terroristas, são eixos do mal”, concluiu. Em Teerã, o ministro Kharrazi reagiu imediatamente: “O objetivo de Bush é distrair a opinião pública dos acontecimentos no Oriente Médio e preparar as pessoas para continuar com o apoio a Israel na repressão ao povo palestino”, afirmou.

O Iraque respondeu de maneira semelhante. “Os Estados Unidos são o único país do mundo, junto com a entidade sionista, a praticar terrorismo de Estado contra povos e governos que não se rendem aos seus desejos, sob o pretexto de que estão combatendo as fontes do terrorismo”, disse Salem al-Qubaissi, chefe da comissão parlamentar de relações árabes e internacionais.

Bush disse que ainda existem campos de treinamento de terror em pelo menos doze países, mas não disse quais. “Milhares de assassinos perigosos, formados em métodos de assassinato, geralmente apoiados por regimes ilegais, estão espalhados pelo mundo como bombas-relógio”, afirmou o presidente americano.

“Um submundo terrorista – que inclui grupos como Hamas, Hezbollah, Jihad Islâmico e Jaish-e Mohammed – atua em florestas e desertos remotos, escondendo-se das cidades grandes”. Tanto o Hamas quanto o Jihad Islâmico desprezaram o discurso de Bush e prometeram continuar a luta contra Israel.