Investidores reagem com cautela ao aumento de juros na China

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Publicado segunda-feira, 27 de dezembro de 2010 as 11:12, por: cdb
Dólar
Dólares norte-americanos

O dólar comercial abriu os negócios nesta segunda-feira espremida na última semana do ano cotado a R$ 1,69 em queda de 0,05% sobre o fechamento de sexta-feira. Os investidores, no entanto, tendem a repercutir o novo aperto da política monetária chinesa, após a decisão do Banco do Povo (o banco central chinês) de aumentar em 0,25 ponto percentual os juros básicos, o que eleva a taxa de empréstimos para 5,85% ao ano. A taxa para remuneração de depósitos de um ano também foi ajustada, no último sábado, para 2,75% ao ano.

Esta é a segunda vez, em 90 dias, que as autoridades chinesas ajustam as taxas de juros na tentativa de conter a inflação e impedir a formação de “bolhas” de preços em ativos financeiros. O aumento dos juros se reflete no custo do dinheiro no sistema bancário e encarecem os empréstimos para o consumo e os novos investimentos.

Há duas semanas, o governo chinês também elevou o compulsório bancário, a parcela mínima dos depósitos que os bancos são obrigados a manter em reserva, para retirar dinheiro em circulação da economia e desaquecer o consumo. A inflação dos preços ao consumidor na China bateu recorde de 28 meses em novembro passado, ao alcançar 5,1%. Em discurso, na véspera, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, declarou que o país será capaz de conter a alta dos preços.

Sem influência

As principais bolsas asiáticas fecharam com ligeira alta nesta segunda-feira, acompanhando a recuperação do dólar australiano e das commodities, enquanto os investidores apostam que o mais recente aumento da taxa de juro na China não mudará a perspectiva otimista para a economia mundial em 2011.

– Nossos economistas esperavam um aumento das taxas antes do final do ano, mas a divulgação da notícia no dia de Natal foi uma surpresa para o mercado – disse o vice-presidente do Barclays Capital em Cingapura, Chen Xin Yi.

O índice MSCI de bolsas da região Ásia-Pacifíco com exceção do Japão subia 0,33% às 7h57 (horário de Brasília), para 135 pontos.

– O impacto do movimento (da China) no momento de crescimento da economia real deve ser mínimo – afirmou o economista-chefe do JPMorgan na China, Qian Wang.

A bolsa do Japão fechou com alta de 0,75%, ampliando ganhos ante outros mercados asiáticos. O índice Nikkei acumulou alta de mais de 10% no trimestre, comparado a avanço de 5,4% do índice de bolsas da região. Em Xangai houve queda de 1,9%. Na Coreia do Sul houve baixa de 0,37%. A bolsa de Cingapura subiu 0,49% e a de Taiwan cresceu 0,35%. Os mercados de Hong Kong e da Austrália não operaram nesta segunda-feira.